O ano de 2020 foi um ano difícil para muita gente, sobretudo por conta dos impactos da COVID-19. E no mundo do vinho não poderia ser diferente. A pandemia acabou afetando negativamente o consumo e comércio de vinhos ao redor do mundo, colocando uma pressão de baixa sobre preços e volumes. Embora os impactos tenham sido distintos em uma base regional, a tendência geral foi de queda tanto no valor das exportações como nos preços por litro.
Em termos de valor, as exportações mundiais de vinho recuaram cerca de 7% em relação a 2019. Isso representou uma perda de € 2,2 bilhões. Grande parte do impacto ficou concentrado no período entre março e junho de 2020, quando as exportações recuaram 17,3% frente ao mesmo período do ano anterior, com queda de € 1,8 bilhão no fluxo comercial.
Volume e preço
O maior impacto sobre o valor do comércio internacional de vinhos foi decorrente da queda nos preços. Por sua vez, a redução no volume de exportações foi de menor magnitude. Por conta de uma queda de 5,6% no período entre março e junho de 2020 frente aos mesmos meses do ano anterior, o volume anual caiu 1,6% em relação a 2019, suavizado por uma pequena recuperação na segunda metade do ano.
Já o preço dos vinhos registrou uma queda média de 5,5% em 2020. Novamente, o pior momento foi registrado entre março e junho, quando os preços despencaram 12,4% em relação aos mesmos meses de 2019.
Tipos de vinho e formatos
Quando segmentados por tipo, os espumantes lideraram as perdas, com queda de 15,2% no valor das exportações mundiais, refletindo, sobretudo, uma queda de 10,7% nos preços médios. Os vinhos tranquilos engarrafados registraram perda de 6% nos valores exportados, também como consequência da queda nos preços médios, que baixaram 4%.
A exceção ficou com os vinhos exportados no formato Bag in Box. Embora tenha sido registrada uma pequena queda em termos de volume, o valor exportado de vinhos neste formato aumentou 7% em 2020, como consequência do aumento de 11,1% no preço médio.
Principais exportadores
Analisando o valor das exportações de vinho, alguns países acabaram sendo mais prejudicados, até porque outros fatores negativos impactaram o mercado em 2020. Por conta da imposição de sobretaxas nos Estados Unidos, os países que mostraram pior desempenho em suas exportações vinho foram a Alemanha (queda de 15%) e a França (quase 10%). Fechando o pódio ficou a África do Sul, que, por conta das restrições impostas pelo seu próprio governo, registrou queda de 9% em suas exportações.
Por outro lado, dentre os dez maiores exportadores de vinho do mundo, dois se destacaram positivamente: a Nova Zelândia e Portugal, que viram suas exportações crescerem 5% e 4% em termos de valor em 2020, respectivamente.
Mercados importadores
Já do ponto de vista dos mercados importadores, a maior variação negativa no comércio de vinhos em 2020 ficou com países asiáticos. A China viu suas importações despencarem quase 26%, seguida por Hong Kong e Cingapura (ambos com queda em torno de 15%). Por outro lado, alguns mercados se destacaram positivamente, entre eles o Brasil.
No caso brasileiro, o valor das importações cresceu cerca de 10% em 2020, sendo superado, entre os maiores importadores, somente pelo avanço registrado nos mercados da Polônia (+17%) e Noruega (+15%).
Fonte: Observatorio Español del Mercado del Vino
Imagem: hectorgalarza via Pixabay