Vinho espacial: garrafas de Château Pétrus voltam do espaço e são comparadas com versão “terráquea”

Você já pensou em provar um vinho que ficou armazenado por alguns meses no espaço? Pode parecer ficção, mas isso já está se tornando realidade. Foi isso que alguns degustadores privilegiados tiveram a oportunidade de fazer esta semana. Eles degustaram e compararam exemplares de Château Petrus que foram e voltaram da Estação Espacial Internacional.

Para quem não sabe, em novembro de 2019 doze garrafas deste icônico vinho foram enviadas para o espaço. O objetivo é analisar as possibilidades de cultivo e armazenamento de alimentos e bebidas no espaço. No caso do vinho, o foco ficou na análise do papel dos colóides (como taninos e polifenóis) e como a ausência de gravidade e a radiação espacial afetam o processo de envelhecimento dos vinhos.

Comparando com os “terrestres”

Os vinhos retornaram à Terra em 8 de janeiro e, até esta semana a Space Cargo Unlimited, que organizou esta parte da missão, não havia revelado qual era o vinho. Havia incialmente indicado apenas que era um Bordeaux. O anúncio do vinho ocorreu somente no último dia 24 de março, anunciando que este cuvée mais que especial (cada garrafa custa cerca de US$ 6.500 na França) foi o escolhido.

Os vinhos foram degustados às cegas, juntamente com exemplares similares que ficaram armazenados em adegas “mais convencionais”, na Terra. Segundo o professor Philippe Darriet, da unidade de pesquisa em enologia do ISVV “por unanimidade, os dois vinhos foram considerados ótimos. Isso significa que, apesar da estadia de 14 meses na Estação Espacial Internacional, o “vinho espacial” foi muito bem avaliado sensorialmente.” Ele ressaltou que o painel identificou algumas diferenças no olfato e no paladar, bem como na cor. Porém, que elas variavam de acordo com a sensibilidade de cada degustador.

Quais as diferenças?

E qual foi a percepção dos degustadores? Para a correspondente em Bordeaux da revista britânica Decanter, Jane Anson, o vinho “espacial” estaria delicioso, mas “parecia talvez de dois a três anos mais evoluído” que o vinho que ficou na Terra. Para Anson “o que permaneceu na Terra ainda estava um pouco mais fechado, um pouco mais tânico e parecia mais jovem. E para o que foi ao espaço, os taninos foram suavizados, com um lado floral mais aparente”.

Nicolas Gaume, CEO e co-fundador da Space Cargo Unlimited, empresa por trás dos experimentos, disse que o vinho tem um sabor diferente e a ausência de gravidade mudou sua cor.  “É uma cor de tijolo. É um pouco diferente. E o gosto em si o tornou único. Apareceram toques de  ameixa, que poderiam estar presentes em uma versão mais antiga do vinho que ficou na Terra, mas também de uma forma diferente”, disse ele à CBC Radio.

Fontes: Space Cargo Unlimited; Decanter; CBC Radio

Imagens: Space Cargo Unlimited

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