Talvez em nenhum outro país do mundo a indústria e o comércio do vinho tenham sido tão afetados pela crise da COVID-19 como na África do Sul. As fortes restrições impostas pelo governo levaram a três períodos distintos de proibição de consumo de bebidas alcoólicas, incluindo o vinho. O objetivo das proibições seria liberar leitos hospitalares para pacientes com COVID-19, ao invés de casos de traumas causados pelo uso e abuso de álcool.
E as medidas terão um impacto de longo prazo, sobretudo para um país que está entrando na colheita da safra 2021. Elevados estoques e preços em queda se juntam aos problemas decorrentes da pandemia. Conheça a cronologia dos fatos.
Primeiro lockdown
Em 17 de março de 2020, logo após o primeiro caso de COVID-19 ser confirmado na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa anunciou um Estado Nacional de Desastre. O primeiro período de bloqueio começou em 27 de março e impôs restrições rigorosas. Elas incluíam a proibição de vendas e transporte de álcool, e permitiam a abertura apenas de serviços essenciais, o que inicialmente não incluía a colheita de vinho, mas isso foi revertido.
As exportações, que representam 45% das vendas de vinho da África do Sul, também foram proibidas durante as primeiras cinco semanas do bloqueio. As restrições de exportação foram flexibilizadas em 1º de maio; mas, mesmo assim, o porto da Cidade do Cabo operava apenas cerca de 25% da capacidade. Em relação ao consumo, as restrições foram gradualmente removidas, sobretudo em abril e maio.
Segundo lockdown
O relaxamento parcial durou até 12 de julho, quando a proibição de todas as vendas de álcool foi novamente restabelecida, devido a um aumento acentuado nas internações relacionadas à COVID-19. A situação nos hospitais acabou melhorando após uma redução no ritmo de internações, bem como uma melhora na taxa de recuperação. Com isso, a proibição da venda de álcool foi novamente levantada em 15 de agosto.
Terceiro lockdown
Em dezembro, uma nova variante da COVID-19 começou a causar estragos na África do Sul. Aumento nos casos se seguiu, deixando o presidente Ramaphosa e seu Conselho Nacional de Gestão de Desastres sem escolha a não ser bloquear as vendas de álcool novamente. E a decisão foi tomada, com novo lockdown a partir de 28 de dezembro. Mas, desta vez, a Vinpro, que representa os interesse do setor vitivinícola, decidiu reagir, entrando com um pedido na Suprema Corte para suspender o bloqueio.
Mesmo antes da decisão jurídica e por conta da redução dos casos, o governo decidiu em 1º de fevereiro levantar a proibição das vendas de álcool no mercado interno, com efeito a partir 2 de fevereiro. As novas regras permitem as vendas no varejo de segunda a quinta-feira, das 10h às 18h, com consumo no local em restaurantes, bares e salas de degustação permitidas das 10h às 22h e vinícolas permitidas para venda para consumo fora do local também em horário comercial normal. Resta saber se este será o último capítulo desta triste novela.
Fonte: WineMag
Imagem: Ante Hamersmit via Pixabay