Last Updated on 18 de abril de 2025 by Wine Fun
De um lado, existem uvas brancas e vinhos brancos, de outro, uvas tintas e vinhos tintos. Não seria misturar um vinho branco com um tinto a melhor forma de elaborar um vinho rosé? Embora possa parecer lógico, a resposta é um sonoro não. Com raras exceções, a prática de misturar uvas brancas e tintas após a fermentação é proibida na União Europeia.
Existem diversas técnicas mais convencionais para preparar um vinho rosé, como as tradicionais prensagem direta, maceração curta e saignée. Todas elas são aprovadas pelos conselhos reguladores e usadas em diversas regiões do mundo, dependendo da intenção e objetivos dos enólogos.
A exceção
Porém, mesmo dentro da União Europeia, existe uma exceção. E ela ocorre na região de Champagne, conhecida pelos seus espumantes de alta qualidade e que, obviamente, podem usar o nome de sua denominação no rótulo, se diferenciando de todos os demais espumantes do mundo. Na Champagne existe a possibilidade de elaboração de espumantes com cortes de uvas brancas e tintas após a fermentação, aliás uma prática bastante adotada.
É sempre importante lembrar que a Champagne já tem longa tradição de vinificação usando uvas tintas na elaboração de vinhos brancos. É só lembrar que a maioria dos Champagnes, embora brancos, é resultado de cortes que incluem uvas tintas como Pinot Noir e Pinot Meunier. Assim, a extensão destas técnicas para elaboração de Champagnes rosés acabou sendo aceita.
Tentativa de mudança
Em 2009, a União Europeia causou um alvoroço ao propor uma mudança na legislação, permitindo a elaboração de vinhos rosés a partir da mistura de tintos e brancos após a fermentação. No entanto, esta proposta foi recebida com fortes protestos em toda a França, sobretudo na Provence, onde a grande maioria do vinho produzido é rosé.
Além disso, fortes objeções foram levantadas também na Itália, onde Rosato é muito popular. A mudança de legislação proposta foi abandonada e, desde então, não se fala mais nisso. Mas os motivos por trás desta proibição, fora a concorrência que poderia gerar aos fabricantes de rosé, ainda não foram plenamente esclarecidos.
Método alternativo
Existe também um quinto método, além dos quatro mencionados anteriormente, para a elaboração de vinhos rosés. É chamado de descolorização de tinto e envolve o uso de uma forma purificada de carvão como filtro, capaz de absorver cores e outros compostos do vinho.
O vinho tinto passa através de um sistema de filtros de carvão até que o tom desejável de cor seja alcançado. Esta prática, porém, é condenada de forma quase unânime no mundo do vinho, pois além da cor, extrai também componentes que contribuem com sabores e aromas ao vinho.
Fontes: Vins de Provence; Wine Mag; BK Wine; Last Bottle Wines