Vinhos finos: Borgonha e Bordeaux perdem espaço, saiba quem vem ganhando presença

O mercado de vinhos finos segue crescendo no mundo. De fato, os preços seguem em alta e uma parcela do público consumidor parece, cada dia mais, não ver problemas em pagar centenas e até milhares de dólares por uma garrafa de vinho. Mas de onde vêm estes vinhos e como foi a tendência nos últimos dois anos?

Uma análise nos dados disponibilizados pela Liv-ex, um dos maiores marketplaces de vinhos finos no mundo, pode ajudar a responder estas perguntas. Em relatório divulgado durante a semana passada, a empresa britânica trouxe uma descrição bastante detalhada das tendências no mercado secundário de vinhos finos, que concentra cerca de 350 dos vinhos mais caros e negociados do mundo, entre 2019 e 2021.

Menor concentração

A principal tendência evidente foi a menor presença dos vinhos do Bordeaux e da Borgonha entre os mais comercializados. Apesar disso, porém, eles continuam representando uma parcela significativa deste mercado. No caso de Bordeaux, a queda na participação é parte de uma tendência mais longa. Em 2019, os rótulos desta região representaram pouco mais de 37% da lista de vinhos mais negociados, em junho deste ano a parcela foi de 28,6%, com exatos 100 vinhos.

O número de vinhos da Borgonha, por sua vez, também diminuiu, caindo 30% entre 2019 e 2021. Em 2019, foram 102 rótulos da Borgonha, representando 29% do total. Em junho de 2021, foram apenas 71, ou 20% do total.  O índice Bourgogne 150, que mede os preços dos 150 vinhos mais negociados da região, mostrou queda entre 2019 e 2020, mas se recuperou nos últimos meses. Mesmo com esta volatilidade recente, ainda é, dentro os índices de preços de vinhos finos calculados pela Liv-ex, aquele com maior valorização acumulada em cinco anos, com os preços quase 80% mais caros, em média.

Itália e Estados Unidos ganham mercado

Por outro lado, os grandes vencedores da classificação deste ano foram Itália e EUA. A Itália, com 83 vinhos, teve um aumento de 112% em relação a 2019. Isso garantiu ao país o segundo lugar em quantidade de rótulos, somente atrás da França, que contabilizou 224 vinhos. Regionalmente, a Toscana emplacou 45 vinhos, seguida pelo Piemonte com 34 e outras regiões com quatro.  Em consequência, a parcela de vinhos italianos cresceu de forma substancial, atingindo 23,8% do total de vinhos finos comercializados pela plataforma da Liv-ex.

Já os Estados Unidos (inteiramente representados pela Califórnia) viram a quantidade de seus vinhos subir 120%, de 10 para 22 rótulos. Sua participação de 6,3% na lista em termos de número de vinhos não está muito longe de sua participação de 7% por valor do mercado secundário. Olhando para outras outras regiões, a participação do Rhône cresceu 12%, de 25 para 28 vinhos, enquanto o número de vinhos da Champanhe aumentou 27,7%, para 23 vinhos. Por fim, o total do Chile dobrou, de um para dois vinhos, enquanto Portugal manteve-se estável, com seis.  No total, houve 120 vinhos novos na classificação este ano, ou 34% do total. Confirmando as tendências descritas acima, mais de 70% destes não eram de Bordeaux ou da Borgonha. 

A Liv-Ex é uma plataforma de comércio que agrega quase 500 grandes comerciantes de vinhos ao redor do mundo, com maior participação no Reino Unido, onde está sediada. Atualmente tem cerca de 70 milhões de libras em ofertas de vinhos, considerando 16.000 vinhos diferentes.

Fonte: Liv-ex

Imagem: Gerd Altmann via Pixabay

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