Vinhos rosé. Se por um lado ainda são alvo de preconceito por parte dos apreciadores de vinho, de outro fica entre as categorias de vinhos com maior crescimento de vendas nos últimos anos. Os números não mentem: entre 2002 e 2018, o consumo de rosés cresceu cerca de 40% a nível mundial, contra 5% para o mercado de vinhos como um todo.
Este crescimento vem sendo impulsionado por novos hábitos de consumo. Cada vez mais as pessoas buscam vinhos frescos, de bom custo-benefício e possibilidade de consumo rápido. Sobretudo entre os consumidores mais jovens, o lema é: beba hoje, que amanhã será outro vinho.
Elaborando rosés: blend e prensa direta
Muita gente ainda acredita que vinhos rosé são elaborados como um blend entre vinho brancos e tintos. Com exceção de alguns Champagnes rosé, a realidade é exatamente o inverso. De fato, na União Europeia a prática de fazer blend entre uvas brancas e tintas após a fermentação é proibida. Mas, apesar disso, são vários métodos para elaborar um vinho rosé.
Dentre os mais populares aparecem dois métodos que tem como objetivo final elaborar vinhos rosé. No método da prensa direta, uvas tintas são prensadas e separadas das suas cascas antes mesmo da fermentação, ganhando uma coloração bem clara. Isso decorre do rompimento das cascas e rápido contato com o sumo da uva, que ganha leve coloração com isso. É um método tradicionalmente usado na Provence, origem de alguns dos melhores rosés do mundo.
Maceração curta e saignée
O método da maceração curta tem uma pequena diferença, já que o sumo da uva fica em contato com as cascas, por parte do processo de fermentação. Assim, através de um processo mais rápido de maceração do que no caso de um vinho tinto, o enólogo pode escolher a cor que deseja. Basta regular o momento de retirar as cascas do contato com o sumo.
O terceiro método mais usado, curiosamente, não tem como objetivo elaborar vinhos rosé, mas sim vinhos tintos. Neste processo, conhecido como saignée, parte do sumo das uvas (entre 5% e 15%) é retirado durante a fermentação, deixando para trás a totalidade das cascas e o restante do sumo. O objetivo é que o sumo restante absorva mais componentes das cascas, para criar um vinho tinto mais complexo. O vinho rosé acaba, deste modo, sendo uma espécie de sub-produto do processo.
A importância da cor
Mais do que em qualquer outro tipo de vinho, no caso dos rosés a cor é um parâmetro muito importante. De fato, muitas vezes é a decisão de obter uma determinada tonalidade o elemento chave que determina outras características do vinho. E esta coloração pode variar bastante.
No caso daqueles elaborados com prensa direta, a coloração geralmente é menos intensa, lembrando salmão claro ou pele de cebola, termo muito usado para definir a coloração de muitos rosés da Provence. No caso dos outros dois métodos, que envolvem maceração, a coloração vai depender do tempo de contato com as cascas, mas também da variedade usada e da temperatura de fermentação, entre outros.
Características
As características dos vinhos rosés variam bastante, mas, em geral, são vinhos que buscam frescor e alta acidez. Isso é obtido de forma mais consistente com uso de processos como prensa direta e maceração curta. Neles, as uvas são colhidas com o objetivo de elaborar um vinho rosé. Assim, normalmente são uvas que ainda não atingiram sua maturação fenólica, contribuindo com mais acidez e frescor.
No caso do método saignée, em geral, as uvas são colhidas com maturação fenólica mais evoluída, já que o objetivo é a elaboração de vinhos tintos. Deste modo, são vinhos um pouco menos leves, com mais presença de frutas maduras, maior volume de álcool e coloração mais intensa.
Estilos
É bastante comum encontrar vinhos rosé com um teor de açúcares maior, mas isso se deve mais à atuação do enólogo no processo de elaboração do que da cor do vinho em si. Para criar um vinho mais doce (seja ele branco, rosé ou tinto), basta interromper a fermentação antes que ela se conclua. Assim, restam açúcares residuais, que, de outra forma, seriam transformados em álcool.
Embora não apreciados por boa parte dos degustadores mais experientes, os rosés com maior teor de açúcar acabam atraindo outras faixas de público. Isso garante seu sucesso comercial.
Consuma sem culpa
Esta versatilidade acaba fazendo dos vinhos rosé, como destacado anteriormente, um campeão de vendas, com parcela crescente no total de vinhos produzidos e consumidos no mundo. São vinhos que se adaptam muito bem a diversas propostas gastronômicas e condições climáticas, tudo depende da escolha que você fizer.
Como em qualquer tipo de vinho, porém, sempre haverá variações de qualidade entre produtores e regiões diferentes. As opções são quase infinitas, desde vinhos mais simples e de perfil mais próximo ao dos brancos, até cuvées raros e disputados pelos degustadores mais experientes. Faça uma boa escolha, consuma sem culpa e deixe qualquer preconceito para trás.
Fontes: Vins de Provence; Wine Mag; BK Wine; Last Bottle Wines
Imagem: Vincenzo Landino via Unsplash