Alsácia: conheça quais são as denominações de origem desta região francesa

Last Updated on 10 de fevereiro de 2024 by Wine Fun

A Alsácia é uma das mais fascinantes regiões produtoras de vinho na França. Refletindo sua rica (e, às vezes, conturbada) história, consegue combinar características e variedades tanto da França como da Alemanha. É o berço dos mais respeitados Rieslings franceses e também se destaca na elaboração de outros brancos de alta qualidade, a partir de variedades como Gewürtztraminer, Pinot Blanc e Moscatel Branco. Isso sem contar a Pinot Noir, que cada dia ganham mais destaque

Além disso, é uma das regiões na França com melhor mapeamento de suas áreas vinícolas. A exemplo da Borgonha e do Rhône, utiliza o conceito de lieu-dit para definir de forma bem específica seus vinhedos. Tanto que hoje é uma das poucas regiões francesas com denominações específicas para vinhos produzidos a partir de vinhedos de alta qualidade.

Apesar de ser uma única região administrativa, os vinhos da Alsácia podem se encaixar em diversas denominações de origem distintas, que podem ser agrupadas em três grupos. São eles: Alsace AOC, Alsace Grands Crus e Crémant d’Alsace AOC.

Alsace AOC: a mais popular

A primeira delas e a mais genérica é a denominação Alsace AOC. Ela foi reconhecida pelo órgão de regulação francesa (na época chamado INAO) em 1962 e atualmente representa mais de 70% da produção da região, incluindo 90% dos vinhos brancos.

Porém, a partir de uma reforma realizada em 2011, surgiu a possibilidade aos produtores adicionarem uma denominação geográfica complementar (DGC) a alguns dos vinhos desta denominação. Assim, passaram a existir três níveis distintos dentro da Alsace AOC: aqueles somente com a classificação regional (Alsace AOC), os vinhos com uma DGC por município ou microrregião (communales), e aqueles com uma DGC referente a um lieu-dit específico.  

O grau de exigência para obter a classificação varia dentro desta escala. Os critérios mais rigorosos devem ser cumpridos pelos vinhos de lieux-dits, sendo menos exigentes para os communales e, por fim, ainda menos para aqueles da classificação regional.  

Alsace Grands Crus

Em 1975 foi tomada a decisão criar a denominação Alsace Grand Cru AOC, incluindo os vinhos dos lieux-dits que foram classificados como Grand Cru. Na teoria, portanto, aqueles provenientes dos melhores vinhedos da região. Inicialmente eram apenas três hectares, mas a área já atinge 80 hectares, com 51 vinhedos distintos, o último incluído em 2007.

Em 2011, a denominação Alsace Grand Cru AOC foi dividida em 51 denominações distintas. Deste modo, cada denominação individual agora representa um vinhedo distinto, com regras individuais. Por exemplo, no caso do vinhedo Rangen, os vinhos elaborados com suas uvas podem trazer no seu rótulo a expressão Alsace Gran Cru Rangen.

As condições para os Alsace Grands Crus são bastante rigorosas, incluindo a limitação no número de variedades permitidas: são somente Riesling, Moscatel Branco, Pinot Gris e Gewürztraminer (há uma exceção que permite o uso de Sylvaner em uma única das 51 denominações).

Crémant D’Alsace AOC

Embora a aprovação da denominação Crémant D’Alsace AOC tenha ocorrido somente em agosto de 1976, diversas vinícolas da Alsácia produziam espumantes usando o método tradicional desde o início do século XX. Foi quando Julien Dopff realizou um trabalho pioneiro em trazer esta técnica originária da Champagne para a região. Atualmente, cerca de um quarto da produção de vinhos da Alsácia pertence a esta denominação.

Hoje há mais de 500 produtores que pertencem ao Sindicato dos Produtores de Crémant d’Alsace, elaborando seus vinhos de acordo com o conjunto de regras do conselho regional. Entre estas regras, destaque para o fato de que os Crémants podem ser elaborados somente a partir de uma varietal, sem cortes de diversas uvas, como acontece na Champagne. A Pinot Blanc é a variedade de maior uso, enquanto a Pinot Noir é única uva tinta permitida para elaboração de espumantes rosés ou Blancs de Noirs.

Classificação extra

A partir de 1984, vinhos elaborados com uvas de colheita tardia podem receber a classificação Vendanges Tardives, que pode ser estampada nos rótulos. O mesmo vale para os vinhos feitos a partir de uvas botritizadas, que podem usar a classificação Sélection de Grains Nobles.

Em ambos os casos, a classificação é adicionada à denominação, como, por exemplo, Alsace AOC Vendage Tardives ou Alsace Gran Cru Rangen Sélection de Grains Nobles.

Fonte: Vins D’Alsace

Imagem: ©ZVARDON – Conseil Vins Alsace

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