Moscatel é certamente um nome conhecido por quem aprecia vinhos. Mas, o que pouca gente sabe é que, na verdade, Moscatel representa um grupo de cerca de 200 variedades diferentes. Boa parte delas, porém, descende de uma única variedade ancestral: Moscatel Branco. Conhecido na Itália – país que hoje concentra sua maior área de vinhedos – como Moscato Bianco, na França recebe o nome de Muscat Blanc à Petit Grains.
O Moscatel branco, juntamente com as outras uvas da mesma família, fica entre as únicas uvas a resultarem em vinhos com o aroma da uva em si. É uma variedade muito polivalente, usada desde espumantes (como os Moscato d’Asti) até vinhos de sobremesa ao redor do mundo (como os Constantia sul africanos, famosos desde o século XVIII).
Origem e história
Ainda não existe uma comprovação científica da origem do Moscatel Branco, mas a maioria dos autores aponta a Ásia Menor como sua terra natal. Na época colonizada pelos gregos, contou com eles para uma rápida expansão. Além da Grécia, teria conquistado o restante do Mediterrâneo, inicialmente a partir das colônias gregas, como a Sicília. Já na Antiguidade teria chegando até a França, onde seria uma das variedades mais populares em Massalia, atual Marselha.
Sua maior difusão, porém, possivelmente ocorreu durante o Império Romano, após a conquista da Gália. É provável que o Moscatel seja a variedade Apiane, citada por Plinio, o Velho em sua História Natural, por conta das menções de que seus aromas de uva e laranja atraiam as abelhas. Seguiu como uma das uvas mais plantadas em diversas regiões da Europa. Há menções de que seria o principal produto de exportação da cidade francesa de Frontignan na época de Carlos Magno e de que haveria plantações na Alemanha já no século XII.
De onde vem seu nome?
Existem algumas teorias sobre o seu nome. Uma das mais difundidas, mas hoje abandonada, seria aquela que associa seu nome à condição de seus grãos. Ricos em açúcares, se rompiam quando maduros e atraiam insetos, entre eles as moscas. Porém, a mais aceita atualmente é a teoria que associa esta uva a um aroma muito apreciado, embora relativamente raro, na Antiguidade.
O poeta grego Hesíodo, em sua obra Trabalho e Dias, menciona uma uva proveniente da Anatólia, na Asia Menor. Seus cachos e uvas exalavam aromas intensos e perfumados, lembrando almíscar. Esta substância, presente nas glândulas de alguns cervos, era chamada μόσχος (móschos) em grego, de onde vem o latim muscus. Por conta também de uma associação com os aromas intensos da noz moscada, o nome Moscato estaria ligado, portanto, a aromas intensos e perfumados.
Características
O cacho do Moscatel Branco é de tamanho médio, cilíndrico, longo e reto. Os grãos são pequenos e esféricos, de coloração amarelo-âmbar, com casca grossa coberta com manchas cor de ferrugem quando totalmente maduros. É uma variedade com polpa firme, suculenta, muito açucarada e com aromas almiscarados. As videiras são muito vigorosas, mas de baixo rendimento, com folhas verde-escuras de tamanho médio.
É uma variedade de amadurecimento precoce, que produz uvas com grande intensidade de açúcares naturais. Se adaptou muito bem ao clima mediterrâneo, com grande presença em países como França, Portugal, Espanha, Grécia e, sobretudo Itália. Nesta áreas é conhecida como uma das poucas variedades presentes em todas as regiões.
Vinhos
Os vinhos produzidos a partir do Moscatel Branco trazem uma elevada concentração de açúcares. Por conta disso, é muito usada na elaboração de vinhos de sobremesa e, também, espumantes (conhecida na Itália como Moscato Bianco, é base dos Moscato d’Asti). Mas pode também produzir vinhos secos de alta qualidade, sobretudo em climas mais frios, como na Alsácia, onde é também conhecida como Muscat d‘Alsace.
Mesmo dentro de tantos estilos diversos, o Moscatel Branco quase sempre traz características aromáticas similares. O principal é a presença de aromas de uva – paradoxalmente, algo incomum nas demais variedades. Estes aromas acompanham os vinhos, independentemente do estilo de produção, seja quando vinificado como vinho seco, espumante ou vinho de sobremesa.
Área plantada
Segundo dados da OIV, em 2015 eram cerca de 32 mil hectares de Moscatel Branco plantados ao redor do mundo. A maior área estava concentrada na Itália, com 12.456 hectares, o que correspondia a cerca de 39% do total. A seguir vinham a França (7.881 ha, ou 24,5%), Espanha (1.943 ha, 6,1%), Portugal (1.877 ha, 5,8%) e Grécia (1.630 ha, 5%).
Por conta de sua longa história, presença em diversos países europeus e capacidade de adaptação a diversas condições de solo e temperatura, talvez esta seja a variedade com mais nomes distintos ao redor do mundo, com mais de 100 diferentes referências diferentes. Uma questão importante, porém, é que ainda existe uma enorme confusão em quais seriam sinônimos exclusivos ao Moscatel Branco e quais se aplicariam a seus descendentes diretos, como, por exemplo, Moscatel de Alexandria ou Moscato Violetto.
Nomes alternativos próximos
Somente em derivações da palavra Moscato, são mais de 70, como: Beli Muskat, Belii Muscatnii, Beyaz Misket, Bornova Misketi, Brown Muscat, Csikos Muskotaly, Gelber Muskateller, Gruner Muskateller, Hazai Muskotaly, Honi Muskotaly, Kedves Muskotaly, Misket, Moscata Bianca, Moscatel Branco, Moscatel Castellano, Moscatel Commun, Moscatel de Canelli, Moscatel de Douro, Moscatel de Grano Menudo, Moscatel de Grano Pequino, Moscatel do Douro, Moscatel Fino, Moscatel Galego, Moscatel Menudo, Moscatel Menudo Blanco, Moscatel Morisco, Moscato, Moscato bianco, Moscato Bianco Commune, Moscato bianco dell’ Elba, Moscato d’ Arqua, Moscato d’ Asti, Moscato dei Colli Euganei, Moscato di Canelli, Moscato di Montalcino, Moscato di Sardegna, Moscato di Trani, Moschato Aspro, Moschato Samou, Moschoudi, Muscat, Muscat à Petits Grains blancs, Muscat Belii e Muscat blanc Commun.
A lista segue com Muscat blanc du Valais, Muscat blanc à Petit Grains, Muscat Canelli, Muscat Canelli, Muscat d’ Alsace, Muscat d’ Alsace blanc, Muscat de Die, Muscat de Frontignan, Muscat de Lunel, Muscat de Narbonne, Muscat de Rivesaltes, Muscat de Samos, Muscat du Puy de Dome, Muscat Hatif du Puy de Dome, Muscat Lunel, Muscat Psilo, Muscat à Petit Grains, Muscat à Petit Grains Ronds, Muscatel Branco, Muskadel, Muskat Beli, Muskat Frontnyanskii, Muskat Lyunel, Muskat Rannii, Muskat Zluty, Muskateller Gelb, Muskateller Weiss, Muskota, Muskotaly, Muskuti, Myskett, Rozsdas Muskotaly, Sarga Muskotaly, Sargamuskotaly, Sari Muscateller, Weisse Muskateller, Weisse Muskttraube, Weisser Muskateller e Zuti Muskat.
Outros nomes alternativos
Também segundo o catálogo da Universidade da Caifornia, em Davis, outros nomes são: Alpianae de los Romanos, Barzing Bjala Tamjanka, Barzsing, Beala Tameanka, Bela Dinka, Busuioaca, Chungi, Csikos Zoeld Szagos, Dinka Bela, Early Silver Frontignan, Frontignan, Gelber Weihrauch, Irmes, Joenica, Joszagu, Katzendreckler, Khungi, Kilianstraube, Kustidini, Ladannyi, Lunel, Ranfler, Saint Jacques blanc, Schmeckende, Seidentraube, Szargos Veirer, Tamaiioasa Alba, Tamaioza, Tamianka, Tamiiosa Alba, Tamiiosa de Dragasani, Tamiiosa de Moldava, Tamiioasa Romaneasca, Tamyanka, Wanzenweinbeer, Weihrauch Gelb, Weirer, White Frontignan e Zoruna.
Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Jancis Robinson; Vin Alsace; Muscat Wines; Encyclopedia of Grapes, Oz Clarke & M. Rand; La Stirpe del Vino, Attilio Scienza & Serena Imazio