Last Updated on 29 de junho de 2024 by Wine Fun
A safra 2021 foi desafiadora na Borgonha. Por conta de fortes geadas ocorridas no início de abril, houve severa perda de produção, com consequências importantes para a grande maioria dos produtores locais. O impacto da geada sobre a Chardonnay foi maior, porém, de forma geral, foram os vinhos brancos aqueles que mais se destacaram nesta safra. Para muitos produtores, a safra 2021 pode ser descrita como uma safra clássica para os brancos, com muita elegância e frescor.
Chablis foi uma das sub-regiões mais afetadas pela geada. De outro lado, porém, a característica mais clássica da safra favoreceu o estilo tradicional da região, com vinhos mais diretos e verticais. Já na Côte d’Or, o impacto foi menor, embora uma área tenha sofrido um pouco mais: as Hautes-Côtes, por conta de maiores altitudes. O que esperar dos vinhos brancos da safra 2021 destas duas sub-regiões? Dois exemplares degustados ajudam a responder esta pergunta.
Bourgogne Hautes-Côtes de Nuits Le Mont Blanc 2021, Domaine de L’Arlot 13%
Uvas provenientes de um vinhedo de um hectare e orientação sudeste, localizado a 400 metros de altitude em Premeaux-Prissey. As vinhas de Chardonnay, plantadas em 2012 e de cultivo orgânico e biodinâmico certificado, correspondem a cerca de dois terços deste vinhedo. Na vinificação, fermentação usando leveduras indígenas, com o vinho passando 12 meses em barricas, das quais 15% novas.
Um Chardonnay fresco e vertical, porém, com o carvalho assumindo um papel quase que preponderante. No olfativo, mostrou aromas de baunilha, manteiga e pêssego branco, acompanhados por notas cítricas, abacaxi fresco e leve tostado. No palato, um vinho de alta acidez, corpo médio a baixo, onde o carvalho se destacou um nível acima das notas de frutas brancas e cítricas. Não chega ao Brasil, na Europa custa cerca de € 34.
Petit Chablis 2021, Moreau-Naudet 12%
Uvas provenientes de um vinhedo de 2,5 hectare plantado em solos kimmeridgianos, ao contrário da maioria dos Petit Chablis, que têm origem em terrenos portlandianos. Cultivo orgânico e biodinâmico, com uvas de duas parcelas, uma com videiras entre 20 a 25 anos e outro com vinhas velhas de 40 a 50 anos. Na vinificação, fermentação com leveduras indígenas, com o vinho passando nove meses em inox com suas lias.
Um Petit Chablis de alta gama, que facilmente supera boa parte dos Chablis disponíveis no mercado, por conta de sua qualidade de fruta, precisão, tensão e profundidade. Coloração amarelo brilhante, com olfativo intenso e complexo. Destaque para os aromas cítricos (sorbet de limão) e abacaxi, acompanhados por notas de brioche e maresia. Mostrou um palato muito interessante, com elevada acidez, alta intensidade aromática e corpo médio, onde as frutas brancas e amarelas se destacaram, alinhadas a notas salinas. Um vinho delicioso e de textura fina, que também não chega ao Brasil e tem preço de € 24 na Europa, um excelente custo-benefício.