Last Updated on 16 de março de 2021 by Wine Fun
O mercado de produtos orgânicos tem crescido a ritmo acelerado ao redor do mundo. E no caso dos vinhos não é diferente, o que aumenta o interesse em formas de identificar os vinhos que fazem parte da categoria.
Se na Europa existe uma classificação unificada e específica para vinhos orgânicos desde 2012, no caso dos Estados Unidos são duas classificações: uma para vinhos feitos a partir de uvas orgânicas e outros para vinhos propriamente orgânicos.
Agricultura versus vinificação
A diferença parece trivial, mas não é. Enquanto a primeira foca sobretudo nos critérios para classificar a agricultura como orgânica, a segunda considera também diversos pré-requisitos no processo de vinificação, sendo, portanto, mais abrangente e mais rigorosa.
Ambas as classificações foram elaboradas pela USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), mas não é ela que faz a certificação. Esta é responsabilidade de empresas e entidades que agem como agentes de certificação da própria USDA.
Vinhos de uvas orgânicas
Para que receba a classificação “elaborado com uvas orgânicas”, um vinho deve atender aos seguintes critérios:
- Todas as uvas utilizadas no vinho devem ser certificadas como orgânicas;
- Na vinificação podem ser adicionados sulfitos até o limite de 100 mg/l;
- As leveduras e outros insumos agrícolas não precisam necessariamente ser orgânicos, embora certos métodos sejam proibidos, incluindo engenharia genética e o uso de radiação ionizante;
- Apenas ingredientes não-agrícolas incluídos na Lista Nacional do USDA são permitidos
- O produtor deve indicar no rótulo o nome do agente certificador;
- Estes vinhos, porém, não podem usar o selo oficial do USDA Organic; mas podem anunciar que são elaborados com uvas orgânicas.
De forma geral, são pré-requisitos vistos por muitos participantes do movimento de vinhos naturais como muito abrangentes e não tão restritivos, abrindo espaço para um volume significativo de intervenção na vinificação.
Vinhos orgânicos
Já para obter a classificação de vinho orgânico e, consequentemente, ganhar o direito de usar o selo USDA Organic, os produtores devem atender a critérios mais rigorosos:
- Uvas, leveduras e outros ingredientes orgânicos devem ser todos certificados orgânicos, com exceção das substâncias na Lista Nacional de Substâncias Permitidas da USDA;
- Não são permitidos sulfitos adicionados;
- Ingredientes não-agrícolas não podem exceder 5% do vinho. Sal e água são exceções; estes podem ser adicionados em qualquer volume;
- Apenas ingredientes não agrícolas que aparecem na Lista Nacional da USDA são permitidos;
- Os rótulos devem incluir o nome de um agente certificador orgânico.
Ao contrário da classificação anterior, estes pré-requisitos são bem mais estritos, com destaque para a proibição de adição de SO2. Com isso, a quantidade de vinhos com esta certificação ainda representa uma proporção muito baixa do total, até mesmo na comparação com a classificação equivalente na Europa, que é mais liberal em diversos critérios.
Fontes: “Accredited Certifying Agents.” USDA. Agricultural Marketing Service, U.S. Department of Agriculture, n.d. Web. 6 Dec. 2018; McEvoy, Miles. “Organic 101: Organic Wine.” USDA. U.S. Department of Agriculture, 8 Jan. 2013. Web. 6 Dec. 2018; “The Organic Wine Dilemma: What to do?” WineFolly; “Organic Wine: Oversight, Labeling, and Trade.” USDA. Agricultural Marketing Service, U.S. Department of Agriculture, n.d. PDF. 6 Dec. 2018; Strayer, Pam. “The Organic Opportunity: Will the U.S. Wine Industry Miss Out?” WinesandVines. Wine Communications Group, Inc., Jan. 2017. 6 Dec. 2018; “Title 7, Part 205 – National Organic Program: The National List of Allowed and Prohibited Substances.” ECFR. U.S. Government Publishing Office, 3 Dec. 2018. Web. 6 Dec. 2018.