Last Updated on 15 de julho de 2024 by Wine Fun
Uma dos segredos “escondidos” do vinho francês, principalmente para quem prefere produtores artesanais e integrados com o terroir, o Jura conta com quatro denominações de origem baseadas na geografia. Destas, três (Arbois, L’Étoile e Château Châlon) ocupam áreas geográficas relativamente compactas, com um foco mais definido. Já a denominação Côtes du Jura, por sua vez, é onde a diversidade da região mais se exprime. São diferentes terroirs, uvas e estilos de vinhos.
Seus vinhedos se estendem por uma faixa de cerca de 80 quilômetros de comprimento no sentido norte-sul, com dois a cinco quilômetros de largura. Os vinhedos começam em Champagne-sur-Loue, seguindo na direção sul, por toda a região de Revemont, até Saint-Amour. Apesar da coincidência de nomes, vale lembrar que estes dois vilarejos não têm qualquer relação com a famosa relação produtora de espumantes ou o Cru de Beaujolais.
Mesmo tendo uma distribuição geográfica bastante ampla, não é a denominação com maior área de videiras no Jura, ficando atrás de Arbois. Isso ocorre pois, ao contrário das outras três denominações de origem, existem vastas áreas dedicadas a outros cultivos, em um modelo que prega mais a policultura. Com cerca de 560 hectares de videiras, responde por 29% do total dos vinhedos com denominação de origem nesta região francesa.

A denominação de origem
A aprovação da denominação de origem Côtes du Jura se deu em 1937, como parte da longa e difícil retomada da vinicultura da região após o enorme impacto que a filoxera teve localmente. Vale lembrar que, atualmente, o Jura produz apenas cerca de 10% do volume de produção registrado na área na segunda metade do século XIX, antes que a epidemia devastasse boa parte de seus vinhedos.
Os vinhedos da Côtes du Jura se estendem por 105 communes, das quais cerca de 60 com áreas em produção. As principais são Arlay, Gevingey, Lavigny, Le Vernois, Passenans, Poligny, Rotalier e Voiteur. Em 2019, o volume produzido chegou a 29 mil hectolitros, o que corresponde a cerca de 3,9 milhões de garrafas e 25% da produção total do Jura.
As regras da denominação de origem permitem a elaboração de vinhos tranquilos, tanto brancos, tintos ou rosés. Para os brancos, que lideram em termos de produção, Chardonnay e Savagnin são as variedades principais, com Pinot Noir, Poulsard e Trousseau como acessórias. Já tintos e rosés também usam as mesmas variedades, porém com as tintas ganhando papel de principais e as brancas de acessórias. Assim como no caso de Arbois, Côte du Jura também permite duas menções complementares, dependendo do estilo produzido: Vin Jaune e Vin de Paille.
Terroir
Por sua longa extensão, os vinhedos de Côtes du Jura apresentam diferenças no terroir, porém com vários pontos em comum. Em geral, os vinhedos estão dispostos em colinas de orientação norte a sul, na borda oeste do maciço do Jura, mais especificamente no limite do primeiro planalto jurássico. Este planalto tem uma distinta camada de calcário duro do Jurássico médio, com os vinhedos abaixo compostos por diferentes tipos de margas. O calcário está presente em todos os lugares, e, sendo uma rocha permeável e solúvel, é muito favorável à viticultura.
A concentração de calcário, porém, é maior nos vinhedos ao sul de Lons-de-Saunier, sub-região conhecida como Sud Revermont. Por conta de solos mais próximos do perfil encontrado na Borgonha, temperaturas mais altas e vinhedos de menor altitude, é a sub-região onde há maior presença de Chardonnay e Pinot Noir no Jura. É uma sub-região com cerca de 150 hectares de vinhedos, mas que vem ganhando importância.
O Jura conta com um clima oceânico fresco e muito chuvoso, marcado por influências continentais. Há uma significativa amplitude térmica, em torno de 10,5°C em média, com verões quentes e úmidos. A precipitação anual ultrapassa os 1.000 milímetros e está bem distribuída ao longo do ano. Assim como outras partes da região, porém, Côtes du Jura é uma área suscetível a fenômenos climáticos mais extremos, sobretudo geadas e chuvas de granizo.
Vinhos e produtores
Os vinhos brancos dominam a produção, com a Chardonnay mostrando maior presença nas áreas mais ao sul da Côtes du Jura. Porém, os tintos, sobretudo aqueles elaborados da Pinot Noir, seguem ganhando espaço. Vale lembrar que em denominações exclusivas para vinhos brancos, como Château Chalon e L’Étoile, os vinhos tintos locais são rotulados como Côtes du Jura.
Embora boa parte das principais vinícolas do Jura tenha sede em Arbois e cercanias, não faltam produtores de destaque também nas áreas da denominação de origem Côtes du Jura. Entre eles, vale a pena mencionar nomes como Jean-François Ganevat, Domaine Labet, Domaine des Miroirs, Domaine Pignier, Domaine des Marnes Blanches, Domaine Buronfosse, Didier Grappe, Nicolas Jacob, Domaine Badoz e Domaine Baud Père et Fils.
Fontes: Cahier des Charges de l’Appellation d’Origine Contrôlée Côtes du Jura; Jura Wine, Wink Lorch; Jura Vins
Imagem: © Jérôme Genée/Jura Tourisme
Mapa: Comité Interprofessionnel des Vins du Jura