Degustando os dez Crus de Beaujolais

Last Updated on 14 de maio de 2025 by Wine Fun

Atualmente um dos centros do vinho de baixa intervenção na França, a região do Beaujolais presenciou uma enorme transformação a partir da década de 1980. Nomes como Jean FoillardMarcel Lapierre, Guy Breton e Jean-Paul Thévenet revolucionaram a produção de vinhos locais, com cultivo orgânico dos vinhedos e técnicas de baixa intervenção na adega. Isso abriu espaço para um estilo que até hoje caracteriza uma parte significativa dos vinhos desta região, que fica logo ao sul da Borgonha.

Dentre as doze denominações de origem da região, dez se referem aos Crus de Beaujolais. Agrupados em torno a vilarejos que dão seus nomes, apresentam características peculiares de terroir. O foco fica na Gamay, vinificada tanto de forma tradicional como com uso de maceração carbônica ou semi-carbônica, técnicas que ganharam grande espaço a partir dos anos 1980.

Degustando 10 vinhos

Foi um prazer participar de degustação e evento organizado pela Cellar, que tem um impressionante portfolio de Crus de Beaujolais, possivelmente o mais completo nesta região entre as importadoras brasileiras. Reuniu exemplares dos dez Crus e foi conduzida de forma exemplar pela fera Eduardo Araujo, com dez vinhos, de safras entre 2018 e 2022. Os exemplares degustados foram:

St-Amour Côte de Besset 2019, Château de Rontets 12,5%, R$ 445

Juliénas 2018, Laurent Dufaitre, 13%, R$ 395

Chenas Les Blémonts 2020, Domaine Saint Cyr, 13%, R$ 325

Moulin au Vent Champ de Cour 2019, Thibault Liger-Belair, 13,5%, R$ 545

Fleurie Charbonières 2019, Domaine Chapel, 13,5%, R$ 465

Chiroubles 2021, Regis & Sylvain, 12,5%, R$ 325

Morgon Tradition 2022, Thévenet, 12,6%, R$ 345

Régnié 2020, Bonnet Cotton, 13%, R$ 395

Côte de Brouilly Les Sept Vignes 2021, Château Thivin, 12,8%, R$ 365

Brouilly 2019, Alex Foillard, 13,9%, R$ 395.

Impressões e destaques

Houve muita diversidade nos vinhos degustados, tanto por conta das diferenças de terroir, safras e estilos dos produtores. De forma geral, são tintos mais frutados e leves, onde o frescor e os taninos desempenham um papel importante. Alguns vinhos mostraram uma “pegada mais selvagem”, como o Juliénas de Laurent Dufaitre, o Chenas Les Blémonts da Domaine Saint Cyr e Côte de Brouilly Les Sept Vignes do Château Thivin. Outros, por sua vez, se mostraram mais leves do que o esperado, com destaque para o Morgon Tradition 2022 de Thevenet.

Destaco dois vinhos como meus principais destaques, em um painel de alta qualidade. O Fleurie Charbonières 2019 da Domaine Chapel se mostrou exuberante e com muita vivacidade, um vinho preciso e crocante, absolutamente delicioso. Já o Moulin au Vent Champ de Cour 2019 de Thibault Liger-Belair evidenciou o terroir deste Cru e o estilo mais austero e borgonhês do produtor. Um vinho mais sério, com mais textura, densidade e profundidade. Se alguns dos vinhos do painel pareciam mais descolados e em estilo glou glou, como que se de bermuda e camiseta, aqui um vinho de calça de alfaiate, camisa social e blazer.

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