Um dos mais consistentes e respeitados produtores de vinho do Chianti Classico. Esta é uma forma resumida de descrever a Fontodi, sediada em Panzano in Chianti, no coração da Conca d’Oro, que fica entre as áreas mais prestigiadas desta denominação de origem. Atualmente comandada por Giovanni Manetti (que também atua como presidente do Consorzio Vino Chianti Classico), alia tradição familiar, viticultura orgânica certificada e mínima intervenção na adega.
Com foco principal na Sangiovese, a Fontodi elabora vinhos que expressam com clareza o terroir de Panzano. Recentemente classificada como uma UGA (Unità Geografiche Aggiuntive), Panzano é uma das mais homogêneas e consistentes sub-regiões do Chianti Classico. Mas a valorização deste terroir somente é possível por conta dos cuidados nos vinhedos e estilo de vinificação da família Manetti, que resulta em vinhos com estrutura, frescor e longevidade.
Histórico
A história da Fontodi começa em 1968, quando Dino Manetti adquiriu a propriedade. A família, tradicionalmente ligada à extração e produção de terracota em Impruneta, expandiu suas atividades para o vinho e, na década de 1980, Giovanni Manetti assumiu a gestão. Com ele, vieram investimentos na reestruturação dos vinhedos e na modernização da adega, culminando no lançamento do Flaccianello della Pieve em 1981.
Este 100% Sangiovese colocou a vinícola em evidência como sinônimo de qualidade, criando um ponto de referência para uma vinícola que já se destacava pelos seus Chianti Classicos. Sem formação em enologia, Giovanni contou por muitos anos com Franco Bernabei como enólogo-chefe, que hoje trabalha como consultor. A terceira geração já está atuante na vinícola, com Bernardo Manetti (vinhedos e enologia) e Margherita Manetti (comercial e logística), ambos filhos de Giovanni, ganhando mais espaço.
Nos últimos anos, a Fontodi encontrou uma forma de aliar a atividade original da família com o vinho. A olaria da família, Manetti-Cusmano, passou a produzir ânforas de terracota utilizadas na vinificação de alguns vinhos. Um dos destaques é a cuvée chamada Dino, um Sangiovese 100% feito integralmente em ânfora em homenagem ao patriarca.
Agricultura e vinhedos
A qualidade do cultivo dos vinhedos é o ponto de partida de grandes vinhos. Desde 2008, toda a área de vinhedos da Fontodi conta com certificação orgânica, com uma abordagem que incorpora também alguns princípios biodinâmicos. Destaque para o uso de calendário lunar, compostagem proveniente do gado criado na propriedade e aproveitamento integral dos resíduos da vinha e da adega. A filosofia é gerir a propriedade como um sistema fechado, buscando autossuficiência e equilíbrio ecológico.
Isso é possível por conta também da extensão da propriedade. São 110 hectares de vinhas, parte de um total de 280 hectares que inclui bosques e cultivos. Localizados entre 350 e 500 metros de altitude, os vinhedos da Fontodi estão plantados majoritariamente com Sangiovese (90%), além de pequenas parcelas de Syrah, Pinot Noir, Sauvignon Blanc, Trebbiano e Malvasia. Os solos são predominantemente de galestro, rocha xistosa argilo-calcária que garante boa drenagem e promove enraizamento profundo. A exceção fica para algumas parcelas, como aquelas usadas para a elaboração do Terrazze di San Leolino, que têm predominância de alberese, portanto mais calcário.
Vinificação
Baixa intervenção é a regra na vinificação. Todo o processo ocorre por gravidade, com fermentação usando exclusivamente leveduras indígenas e sem adição de outros produtos, à exceção de pequenas doses de SO₂. Para o Sangiovese, na grande maioria dos vinhos, a fermentação ocorre em tanques de inox, com remontage suave e maceração de cerca de 30 dias. Nas safras mais recentes, os vinhos elaborados a partir de Syrah e Pinot Noir fermentam em ânforas de terracota produzidas na fornace da família. Em geral, o envelhecimento dos vinhos tintos de maior destaque dura cerca de dois anos, combinando botti e, cada vez menos, barricas de carvalho francês (aproximadamente 30% novas). A filtragem é leve e o uso de sulfitos é moderado, visando preservar a pureza aromática.
Vinhos de ponta
Embora tenha a Sangiovese como carro-chefe, a Fontodi elabora anualmente dez cuvées diferentes, das quais seis usam a uva-símbolo da Toscana, dois outros tintos e duas criações usando uvas brancas. O Flaccianello della Pieve segue como o flagship da vinícola, um 100% Sangiovese elaborado a partir de vinhas selecionadas, que passa dois anos em carvalho, e combina elegância, profundidade e longevidade. Apesar da localização dos vinhedos dentro da área do Chianti Classico, tem engarrafamento como IGT Colli Toscana Centrale.
Dois outros vinhos de ponta, porém, seguem 100% as regras do Consorzio. Ambos classificados como Chianti Classico Gran Selezione, trazem expressões de terroir diferentes, mantendo a mesma vinificação. O Vigna del Sorbo tem elaboração a partir de vinhas velhas em solos de galestro, gerando um mais vinho estruturado e concentrado. Já o Terrazze di San Leolino, outro 100% Sangiovese, tem origem em vinhedos mais altos e solos de alberese, com mais finesse, verticalidade e perfil floral.
Outras expressões da Sangiovese
Dentro da tipologia Chianti Classico, são dois vinhos. Com uvas da região de Panzano, o Chianti Classico Annata é o tinto clássico da casa, equilibrado, com boa expressão de fruta e tipicidade desta sub-região, oferecendo excelente custo-benefício. Por sua vez, o Filetta di Lamole tem um estilo mais fresco e vertical, resultado do terroir da UGA Lamole, com mais altitude e solos predominantemente de arenito.
O último lançamento da Fontodi é o Dino, um 100% Sangiovese de baixa produção, que não supera 1.000 garrafas por safra. Com uvas dos vinhedos de Panzano, distingue-se pela fermentação e estágio integralmente em ânforas de terracota. Chamadas localmente de orci, são produzidas a partir de solos de galestro pela própria família Manetti, em sua olaria em Impruneta.
Variedades francesas e vinhos brancos
A Fontodi elabora (nas últimas safras com fermentação em ânforas) outros dois vinhos tintos, porém com variedades francesas. O Case Via Pinot Nero é um monovarietal de Pinot Noir, com boa profundidade e frescor, um dos poucos vinhos desta variedade na Toscana. Já o Case Via Syrah traz intensidade e estrutura incomuns na região.
Fechando o portfólio são dois vinhos elaborados com uso de uvas brancas. O Meriggio é um branco tradicional e fresco elaborado majoritariamente com Sauvignon Blanc (cerca de 95%) com leve adição de Trebbiano. Já o Vin Santo del Chianti Classico é um vinho de sobremesa elaborado com 50% Sangiovese e 50% Malvasia, usando técnicas tradicionais de passificação, dando origem a um vinho raro (cerca de 1.500 meias-garrafas ao ano) e de grande concentração e textura aveludada.
| Nome da Vinícola | Fontodi |
| Estabelecida | 1968 |
| Website | https://www.fontodi.com/en/ |
| Enólogo | Bernardo Manetti |
| Uvas | Sangiovese, Pinot Noir, Syrah, Trebbiano, Malvasia |
| Área de Vinhedos | 110 ha |
| Sede da Vinícola | Panzano in Chianti (Toscana) |
| Denominações de origem | Chianti Classico DOCG, IGT Colli Toscana Centrale, Vin Santo del Chianti Classico |
| País | Itália |
| Agricultura | Orgânica certificada |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
| Importador no Brasil | Mistral |
Fontes: Website da vinícola; entrevista com o produtor
Imagem: Fontodi