França, Itália e Espanha dominam o mundo do vinho. Juntos, respondem por quase metade da produção mundial e mostram uma participação ainda mais impressionante quando o critério de avaliação é o volume exportado. Embora países como Chile, Austrália e Nova Zelândia tenham ganhado espaço, os três gigantes europeus ainda predominam. Juntos, respondem por cerca de 55% das exportações mundiais de vinho, totalizando 55 milhões de hectolitros.
Porém, existe um segmento em que este domínio é ainda maior: o mercado de espumantes. Um relatório da consultoria espanhola Del Rey Analysis of Wine Markets mostrou que, no período de 12 meses até julho de 2025, os três países foram a origem de 75% do volume de espumantes exportados no mundo. Quando se leva em conta o valor, que atingiu € 8,51 bilhões, a participação somada da França, da Itália e da Espanha atinge 85%. A Alemanha aparece em um distante quarto lugar, com 8% do valor comercializado.
Briga de gigantes
O que os números acima não mostram é a intensa disputa entre estes três países produtores pelo mercado mundial de espumantes. E, nesta briga, a Espanha parece ter ficado para trás. Dos pouco menos de 1,1 bilhão de litros de espumantes comercializados no período analisado, a Espanha respondeu por cerca de 16%. Quando se fala em faturamento, o desempenho espanhol é ainda mais tímido: o valor de € 520 milhões representa apenas 6% do total mundial.
A briga, portanto, fica entre França e Itália. E cada uma delas se destaca em um critério. A Itália representa 48% do volume total, com 519 milhões de litros, enquanto a França fica em segundo lugar, com 222 milhões de litros (20% do total). Já quando a medida é o valor, os papéis se invertem: a França responde por pouco mais de 50% do total (€ 4,3 bilhões) enquanto a Itália exportou € 2,4 bilhões (28%).
A explicação para esta diferença gritante de perfil entre França e Itália é fácil: preço. Enquanto os espumantes franceses negociam, em média, por € 19,4/litro, os italianos e espanhóis ficam bem atrás, com € 4,63/litro e € 3,25/litro, respectivamente. Para entender esta diferencial, vale lembrar que Champagne representa 89% do valor exportado de espumantes franceses, enquanto a parcela de Prosecco e Cava, nos espumantes destes países, fica em 77% e 74%, respectivamente.
Diferentes tendências
Se a “fotografia” dos 12 meses até julho de 2025 mostra um quadro interessante, o que dizer da evolução histórica? Os dados compilados pela Del Rey mostram tendências distintas. Começando pela Espanha, em 2009, o volume de espumantes exportados atingia 138 milhões de litros, empatado com a Itália em primeiro lugar. Desde então, o crescimento acumulado foi de 22%.
Já a França mostrou um desempenho melhor, com o volume exportado de espumantes crescendo cerca de 74% (de 127 para 222 milhões de litros). No que diz respeito a valor, embora não existam dados confiáveis consolidados para 2009, somente desde 2020 o valor explodiu de € 2,8 bilhões para € 4,3 bilhões, tendo como principal motivo a significativa alta nos preços de Champagne.
Porém, o grande destaque no mercado de espumantes, ao menos quando o assunto é volume, é a Itália. Impulsionado pelo enorme sucesso internacional do Prosecco, o volume exportado passou de 138 milhões para 519 milhões de litros, um crescimento de quase quatro vezes. Já em valor, o resultado foi ainda mais impressionante: o faturamento passou de € 388 milhões para € 2,4 bilhões, o que representa mais de seis vezes.
Fontes: Del Rey Analysis of Wine Markets, CIVC; Prosecco DOC; DO Cava; WineNews
Imagem: Gerada via IA com Magic Media