Last Updated on 8 de março de 2024 by Wine Fun
Mudanças significativas deverão ocorrer em uma das mais tradicionais regiões produtoras do mundo. O fato é de grande alcance, ainda mais quando se trata daquela que é tida como a mais importante de todas as zonas produtoras, Bordeaux.
O reconhecimento das mudanças climáticas pelo planeta não poderia ser confirmada de forma mais enfática. Na assembleia geral de produtores das AOC Bordeaux e Bordeaux Supérieur, realizada em 28 de junho último, foi votada – e aprovada por unanimidade — a inclusão de sete novas variedades de uvas na mescla dos vinhos bordaleses.

Mudança não vale para todas as denominações
É verdade que a lei valerá apenas para os chamados “vinhos de entrada” da zona, ou seja, os mais simples (AOC Bordeaux e Bordeaux Superieur), ficando de fora os vinhos comunais do Médoc (Pauillac, Margaux, Saint-Julien, etc.) e da margem direita do Gironda (Saint-Emilion, Pomerol, etc.), a elite dos vinhos da região.
No entanto, deverão ser observadas algumas regras básicas: os produtores terão um limite de 5% de sua produção dessas novas cepas em seus vinhedos. Também não poderão acrescentar mais de 10% dessas uvas em seus vinhos.
As novas variedades já testadas possibilitarão segurar um pouco o grau alcoólico dos vinhos de Bordeaux, já que têm um amadurecimento mais tardio do que as atuais uvas permitidas.
Novas castas tintas
Touriga Nacional – Considerada a mais fina das uvas de Portugal. Utilizada na elaboração do vinhos do Porto e dos melhores vinhos de mesa do Douro;
Arinarnoa – Esse cruzamento das variedades Tannat e Cabernet Sauvignon foi obtido em 1956 e é plantado no sul da França, Líbano e em alguns países da América do Sul;
Castets – Trata-se de uma variedade tipicamente francesa, originária da região de Aveyron. Embora ainda possa ser encontrada no Sudoeste da França, sua existência caminhava para a extinção;
Marsellan – Essa uva do Languedoc é um cruzamento da Grenache com a Cabernet Sauvignon. É plantada também na Costa Norte da Califórnia, Brasil e começa a ser popular na China.
Novas castas brancas
Alvarinho (Albariño) – Essa variedade vibrante e aromática é largamente plantada nas DO Rías Baixas (Espanha) e Vinhos Verdes (Portugal). Uruguai e Brasil também a produzem numa menor escala. Seus vinhos se notabilizaram por seus agradáveis aromas de pêssego, cítricos e notas minerais;
Petit Manseng – Natural do Sudoeste da França, é muito usada na elaboração de vinhos doces no País Basco espanhol. Tornou-se uma favorita dos produtores americanos da Virgínia;
Liliorila – Mais um cruzamento, dessa vez da portuguesa Barroca com a Chardonnay. Foi criada na França em 1950.
Aguinaldo é escritor, palestrante e crítico de vinhos. Formado tutor pela École du Vin de Bordeaux, já participou como jurado dos principais concursos internacionais. É diretor do site www.degustadoresemfronteiras.com.br, através do qual organiza viagens de Enoturismo por todo o mundo.
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Imagem: Jane & Tony Ackerley da Pixabay
Foto: Aguinaldo Zackia Albert, arquivo pessoal
Tantas mudanças talvez modifiquem um pouco os vinho, mas a qualidade nunca será prejudicada.