Vinhos orgânicos: conheça a classificação da União Europeia

Last Updated on 16 de março de 2021 by Wine Fun

O aumento no interesse por vinhos de baixa intervenção nas últimas décadas tem levado a um crescimento deste segmento e, por consequência, da necessidade de orientar melhor o consumidor. Um dos primeiros esforços neste sentido foi a introdução, em 2012, de uma classificação para vinhos orgânicos na União Européia (UE).

Até 2012 existia regulamentação para agricultura orgânica, ou seja, os vinhos poderiam ser elaborados a partir de uvas de cultivo orgânico, porém sem qualquer regulamentação no que diz respeito aos processos usados durante a vinificação. Isso mudou a partir de 2012, já que a decisão da UE trouxe também condições e limitações para o processo de vinificação. A medida, portanto, não abrangia somente no mercado de uvas, mas também para a comercialização e marketing de vinhos.

Para facilitar a distinção por parte dos consumidores, foi criado um logo, que pode ser usado de forma voluntária pelos produtores em suas garrafas.

Agricultura e vinificação

A regulação da Comissão Europeia (CE) no. 203/2012 de incluir a vinificação foi um importante avanço. Deixou claro que apenas práticas orgânicas na agricultura não seriam suficientes, uma vez  que alguns processos enológicos poderiam ser contrários à verdadeira natureza dos produtos orgânicos.

Alguns exemplos são práticas de concentração por resfriamento, desalcolização, eliminação do dióxido de enxofre por processo físico, eletrodiálises e o uso de trocadores de cations.

A controvérsia do sulfito

Uma das controvérsias, como esperado, foi em relação à utilização de sulfitos. Foram fixados tetos máximos de anidrido sulfuroso, específicos para vinhos orgânicos, dependendo das diversas categorias de vinhos e também de certas características intrínsecas, como teor de açúcar.

Foram definidos limites máximos de SO2 total de 100 mg/l para vinhos tintos com nível de açúcar residual inferior a 2 g/l e de 150 mg/l para vinhos brancos e rosés com nível de açúcar residual inferior a 2 g/l.

Estas regras, na prática, representavam níveis 30% a 50% menores de enxofre adicionado em relação à vinificação convencional  da época. Ficava aberta a exceção, porém, para vinhos cujas áreas de produção sofressem condições climáticas extremas, que tornassem necessário o uso de quantidades suplementares de sulfitos.

Certificação necessária

Em relação à utilização do logo orgânico (uma folha branca estilizada sob fundo verde abacate), ele só pode ser usado em vinhos certificados como orgânicos por uma agência ou órgão de controle autorizado.

Isso significa que eles cumpriram condições rigorosas sobre como devem ser produzidos, processados, transportados e armazenados. O logotipo só pode ser usado em produtos quando contêm pelo menos 95% de ingredientes orgânicos e, além disso, respeitam condições mais rigorosas para os 5% restantes.

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