O preço dos vinhedos e por que alguns vinhos são mais caros que outros

Last Updated on 1 de junho de 2021 by Wine Fun

Existem vários motivos para explicar a enorme disparidade de preços que existem entre vinhos diferentes. Se você pode ir ao supermercado e comprar uma garrafa de vinho a R$ 50, o que faria uma pessoa pagar mais de € 20 mil na Europa (o que equivalente a mais de R$ 126 mil ao câmbio atual) por uma garrafa de Romanée Conti?

Aliás, este vinho se tornou famoso no Brasil não só pela sua qualidade. Foi usado na celebração de vitória de um ex-presidente, e teve um político brasileiro entre seus maiores colecionadores a nível mundial. Só lembrando que ele custa bem mais no Brasil, já que por conta de impostos e outros, chega por aqui na faixa de R$ 300 mil por garrafa.

Este vinho custa uma verdadeira fortuna por diversos fatores. Além de sua qualidade, é um item relativamente raro, pois são produzidas apenas 5.000 garrafas ao ano. Imagine só se cada milionário do mundo decidir pagar o preço e tomar uma garrafa? É a velha regra da oferta e procura: se mais gente quer beber e não é possível produzir mais (por conta do tamanho do vinhedo e do rendimento máximo), o preço sobe.

Preço da terra

E a questão de escassez não se reflete nos preços do vinho somente no preço crescente de algumas garrafas. O preço dos vinhos reflete também o preço da terra onde é produzido. Por exemplo, é possível elaborar um vinho em um local de terra barata e vender a garrafa a R$ 50. Porém, isso jamais seria possível em uma região ou denominação da origem onde um hectare de terra custa uma fortuna. Ou seja, locais onde a terra é mais cara tendem a produzir vinhos mais caros.

Mas qual a diferença de preço de um hectare de vinhedos em uma localização nobre e disputada em relação a um terreno menos valorizado? Se é difícil fazer esta análise a nível mundial, na França estas estatísticas estão disponíveis. Basta analisar os relatórios anuais da SAFER (Société d’aménagement foncier et d’établissement rural), que trazem informações atualizadas sobre as transações envolvendo vinhedos em toda a França.

Borgonha nas alturas

Olhar para o preço dos vinhedos na Borgonha pode dar uma boa ideia do que está por trás do preço de seus vinhos. Em 2019, um hectare (que corresponde a 10.000 metros quadrados) custava em média € 6,5 milhões em uma denominação Grand Cru, o que significa cerca de R$ 41 milhões. E isso corresponde a preços médios, pois vinhedos mais disputados já chegaram a ser negociados a € 18 milhões por hectare.

Mesmo dentro da Borgonha existem variações enormes de preços. Vinhedos em regiões menos disputadas valiam em torno de € 50 mil por hectare em 2019, algo na faixa de R$ 315 mil, um valor bem mais acessível. Na faixa intermediária de preços, o hectare em um vinhedo classificado como Premier Cru era negociado entre € 300 mil e € 3 milhões.

Comparação com outras regiões

Mas a Borgonha não é única região de terras e vinhos caros. O preço por hectare também é muito alto nas denominações mais disputadas do Bordeaux, como Paulliac (€ 2,3 milhões/ha), Margaux (€ 1,3m/ha), St Julien (€ 1,3m/ha) ou Pomerol (€ 1,9 m/ha). Porém, assim como na Borgonha, existe muita disparidade de preços, com o hectare em Bergerac saindo na faixa de apenas € 8 mil.

Por conta desta ampla variação de preços, na média os vinhedos mais caros da França não estão nem na Borgonha nem em Bordeaux. É na região de Champagne, onde os vinhedos são negociados na faixa média de € 1 milhão por hectare, que a terra é mais valorizada. Uma comparação deixa isso claro: a denominação Champanhe é responsável por 7% da superfície total dos vinhedos na França, mas, em termos de valor, sua participação atinge 55%.

Deste modo, se o preço dos vinhedos não explica a totalidade da diferença de preço entre vinhos, ele pode servir com um bom indicador. Como em qualquer empresa, uma vinícola busca recuperar os valores investidos e gerar lucro. Assim, vinhedos caros normalmente resultam em vinhos caros, embora outros fatores também devam ser levados em conta.

Fontes: French property; Société d’aménagement foncier et d’établissement rural

Imagem: RENE RAUSCHENBERGER via Pixabay

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