Radikon, sediado em Oslavia, no Friuli-Venezia Giulia, região próxima à fronteira com a Eslovênia, é um dos produtores mais icônicos do nordeste da Itália. A vinícola ganhou destaque, sobretudo, por seus vinhos brancos de longa maceração, entre eles Ribolla, Jakot e Oslavje, o que a colocou entre os mais destacados produtores de vinhos laranja da Europa. O que menos gente sabe é que também elaboram tintos, como Merlot, Modri, a partir de Pinot Noir, e Pignoli, produzido com a variedade autóctone Pignolo.
O Radikon Pignoli 2014 é um monovarietal de Pignolo, variedade histórica de Friuli que os Radikon começaram a plantar no final da década de 1990. O vinho tem origem em aproximadamente 0,5 hectare de vinhedos sobre os solos de ponca, formados principalmente por margas e arenitos. Na vinificação, uvas 100% desengaçadas e fermentação natural, com maceração de três a quatro meses em recipientes de madeira, seguida de estágio de cerca de seis anos em barricas usadas. A produção é reduzida: cerca de 3.000 garrafas por ano.
Degustando
Este foi um dos vinhos que provei recentemente na vinícola e que acabou me chamando a atenção, pela sua personalidade bastante particular. Tanto que decidi trazer uma garrafa ao Brasil para harmonizar com um dos pratos mais típicos: a feijoada. No visual, apresentou coloração granada de intensidade média, com olfato rico e intenso. Destaque para aromas de cereja ácida, cranberry e cereja preta, acompanhados por ervas frescas e secas, como tomilho, e por especiarias doces. Também surgiram notas de hibisco, maresia e iodo, com um caráter salino bastante evidente.
Na boca, mostrou-se bone dry, com acidez elevada, taninos médios a pronunciados e ainda firmes e corpo médio. É um vinho amplo, concentrado e com várias camadas, mas de textura austera, com notas balsâmicas e salinas que ganham ainda mais projeção do que no nariz. Com final longo, tem ainda um belo potencial de guarda, combinando estrutura, frescor e complexidade. E quanto à harmonização? Funcionou muito bem: sua acidez, salinidade e austeridade contrastaram com o lado “mais gordo” da feijoada. Os vinhos de Radikon não chegam ao Brasil e, na Itália, esta cuvée custa cerca de € 47 para sua tradicional garrafa de 500 ml.
| Nome do vinho | Pignoli |
| Safra | 2014 |
| Produtor | Radikon |
| Enólogos | Stanko Radikon & Saša Radikon |
| Uva | Pignolo |
| Solo | Ponca (margo-arenoso) |
| Graduação alcoólica | 13,5% |
| Sede da vinícola | Oslavia (Friuli-Venezia Giulia) |
| Denominação | Venezia Giulia IGT |
| País | Itália |
| Agricultura | Orgânica |
| Vinificação | Natural |
| Importador no Brasil | Sem importador |