Pinot Noir: a rainha das uvas tintas

Last Updated on 25 de novembro de 2021 by Wine Fun

Objeto de desejo de praticamente todo mundo que aprecia vinhos de alta qualidade, a Pinot Noir talvez seja a mais simbólica das uvas tintas. Pelo seu difícil cultivo é um desafio para os vinicultores, pela capacidade de gerar vinhos de altíssima qualidade fica quase sempre entre as favoritas dos melhores degustadores.

É com a Pinot Noir que são produzidos alguns dos vinhos mais icônicos do mundo, como aqueles da Domaine de la RomanéeConti e outras obras de arte da Borgonha, mas também é com esta uva que alguns dos Champagnes mais refinados do mundo são elaborados.

Características

Se ela desperta a atenção dos consumidores, o cultivo da Pinot Noir é quase sempre uma tarefa complicada para os produtores. Sua casca fina não resiste bem ao calor e é uma uva que, em geral, amadurece cedo, o que acaba restringindo as possibilidades de plantio em muitas partes do mundo. É também uma variedade de cachos pequenos (cerca de metade do tamanho da Cabernet Sauvignon, por exemplo) e muito compactos, o que reduz a circulação de ar entre os grãos e pode favorecer o desenvolvimento de doenças, especialmente fúngicas.

Embora normalmente seja uma variedade associada com vinhos de baixo teor alcóolico, quando cultivada em regiões quentes e/ou sem restrição de rendimentos, pode dar origem a vinhos mais alcóolicos. Além disso, é uma variedade que mostra uma diversidade clonal enorme, com mais que 1.000 diferentes clones catalogados. Por conta disso, pode mostrar características bastante distintas.

Se por muito tempo os vinhos feitos com a Pinot Noir eram apenas reconhecidos em sua região de origem, a Borgonha, hoje o cenário mudou. Esta uva, que talvez possa ser melhor descrita pela palavra elegância, está mais acessível ao consumidor.

Vinhos

Em relação a seus vinhos, em geral, mostram no visual baixa a média concentração, ou seja, são mais translúcidos, em contraste com aquelas uvas que parecem suco de uva ou tinta de caneta. Seu olfativo, quando jovem, varia entre regiões e método de vinificação, mas, na maioria das vezes, remete inicialmente a frutas vermelhas, como morango, framboesa e cereja. Alguns vinhos já apresentam toques herbáceos. Quando mais evoluídos, dependendo do tempo de envelhecimento, podem apresentar notas de couro, sottobosco ou até mesmo carne.

No gustativo, em sua maioria, são vinhos de corpo leve a médio, elegantes, com taninos finos e leves, além de acidez elevada. A Pinot Noir serve de base sobretudo para vinhos tintos monovarietais, ou seja, sem a presença de outras variedades, com poucas exceções. Um exemplo é a produção de espumantes, onde na maioria das vezes é usada juntamente com a Chardonnay para a produção de Champagne.

Origem e internacionalização

A Pinot Noir é originária da Borgonha, sendo amplamente cultivada já na Idade Média, com algumas referências durante o Império Romano. Além de sua região de origem, também é encontrada com frequência em outras regiões da França, como Jura, Vale do Loire (Sancerre) e Alsácia. Recentemente aumentou também o cultivo em regiões mais mediterrâneas, como Languedoc. No restante da Europa, destaque para Alemanha, onde é conhecida como Spätburgunder, Áustria, Suíça e nordeste da Itália.

No Novo Mundo, se adaptou bem área do Pacific Northwest da América do Norte, com destaque para o Oregon, Washington e também na Colúmbia Britânica, no Canadá. É muito plantada na Califórnia, em especial em regiões com forte influência oceânica. Na Oceania, se tornou a referência principal de uva tinta na Nova Zelândia, sobretudo na ilha sul e no sul da ilha norte, além de regiões no sul da Austrália. Na América do Sul, destaque para regiões de maior altitude ou menor latitude, como a Patagônia e os Andes chilenos e argentinos. No Brasil acabou se adaptando também ao Vale dos Vinhedos.

Área plantada e nomes alternativos

Segundo dados da OIV, em 2015 eram 118.212 hectares de Pinot Noir plantados ao redor do mundo, dos quais 32.289 na França (27% do total), 25.504 nos Estados Unidos (21%), 11.784 na Alemanha (10%) e o restante em diversos países, com destaque para Moldova, Nova Zelândia, Itália, Austrália e Chile.

É quase que mundialmente reconhecida pelo seu nome em francês, as exceções, fora de países como a Alemanha, sendo traduções para outros idiomas, como Pinot Nero na Itália ou Blauburgunder na Áustria ou Suiça.

Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Wine SpectatorJancis RobinsonDecanter

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