Pureza no Beaujolais: alguns dos vinhos da Famille Dutraive

Last Updated on 17 de maio de 2025 by Wine Fun

Adquirida em 1969 pela família Dutraive, a Domaine de la Grand’ Cour se tornou uma das principais referências do vinho de baixa intervenção no Beaujolais. Atualmente administrada pelos irmãos Ophélie e Lucas Dutraive, expandiu suas atividades a partir de 2016. Por conta de uma chuva de granizo que destruiu mais de 70% da produção em Fleurie, optou por criar uma unidade de négoce, elaborando vinhos com Gamay de terceiros, provenientes de outras áreas do Beaujolais. Nascia a linha Famille Dutraive. Além de alguns destes vinhos tive também a oportunidade de provar duas cuvées, dos projetos pessoais de cada irmão, em visita recente.

As uvas utilizadas têm cultivo orgânico, com vinificação relativamente similares entre as várias cuvées. São vinhos de maceração carbônica com uso exclusivo de leveduras indígenas em tanques de concreto, com estágio em inox, concreto ou barris de carvalho, dependendo do vinho e safra. Os vinhos são engarrafados sem colagem ou filtração, apenas leve adição de sulfitos.  

Beaujolais Villages 2023, 12,5%

Elaborado com uvas do vilarejo de Lantignié (candidato a se tornar o próximo Cru de Beaujolais), em solos limo-arenosos a cerca de 370 metros de altitude. Por conta das chuvas de verão nesta safra, fermentação um pouco mais longa (10 dias) que o normal. Um vinho leve e fresco, bem no estilo vin de soif. Aroma com frutas vermelhas e notas de menta, com palato de boa acidez, corpo médio a baixo, taninos finos e muita fruta fresca, mantendo a verticalidade.

Chiroubles Javernand 2023, 12,5%

Uvas do lieu-dit Javernaud, em Chiroubles, com solo de granito rosa decomposto e altitude de 450 metros. Vinificação em linha com o anterior, com sete meses de estágio em barris de 600 litros e concreto. Um tinto fino e elegante, com nariz intenso trazendo notas florais e de frutas vermelhas. No gustativo, mostrou acidez intensa, taninos finos e muita vivacidade, um Gamay elegante  e fino.

Saint-Amour Clos Du Chapitre 2023, 13,5%

O perfil de solos na parcela Le Clos du Chapitre (260 metros de altitude) é bem diferente de Fleurie ou Chiroubles, com maior proporção de argila. Isso demanda colheita mais precoce e macerações mais curtas para evitar taninos e fruta mais intensos. Um vinho distinto dos anteriores, com olfativo mostrando fruta negra e especiarias. No palato, se mostrou mais tânico, concentrado (são vinhas velhas de 50 anos) e menos redondo.

Moulin à Vent 2023, Ophélie Dutraive 13,5%

Além de atuar na Domaine de la Grand’Cour e elaborar os vinhos de négoce, Ophélie Dutraive produz também um vinho de seu projeto pessoal. Em safras passadas esta cuvée tinha origem em vinhas velhas de quase 140 anos, porém neste caso foram videiras bem mais jovens. Maceração de cerca de 10 dias com maior extração. Um vinho mais austero, com notas de frutas vermelhas frescas e notas florais e vegetais. Muito fresco na boca, com taninos presentes, alta acidez e textura granulosa.

Fleurie Pied de la Rue 2021, Lucas Dutraive 12,5%

Da mesma forma que a irmã, Lucas Dutraive tem um projeto pessoal, com uvas do lieu-dit Pied de la Rue, na mesma colina de La Madonne, em Fleurie. Nesta safra mais fria, um vinho de coloração bem menos intensa, com frutas vermelhas e notas discretamente herbáceas no olfativo, além de um toque de flores secas. Bem vertical e direto na boca, com taninos menos maduros, corpo médio e textura, também tendendo mais para a austeridade.

Os vinhos da Domaine de la Grand’Cour e da Famille Dutraive chegam ao Brasil pela Clarets.

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