A Domaine de la Grand’ Cour, com uma produção anual de apenas 40 mil garrafas a partir de seus vinhedos próprios, é uma das pérolas do vinho de baixa intervenção no Beaujolais. Sediada em Fleurie e com um vinhedo também em Brouilly, cultiva suas vinhas de forma orgânica, adotando práticas de vinificação similares entre as várias cuvées. São vinhos de maceração carbônica com fermentação usando leveduras indígenas em tanques de concreto, com estágio em inox, concreto ou barris de carvalho, dependendo do vinho e safra. Os vinhos são engarrafados sem colagem ou filtração, apenas leve adição de sulfitos. Abaixo uma descrição de quatro de seus vinhos, todos da safra 2023, degustados em visita recente à vinícola
Brouilly Cuvée Vieilles Vignes, 13%
Alta proporção de vinhas velhas (70% acima de 60 anos) provenientes do lieu-dit Vuril, em Brouilly. São solos (argilo-calcários) bastante diversos daqueles dos vinhedos de Fleurie, onde predomina o granito rosa. Infelizmente, esta foi a última safra com tal proporção de vinhas velhas, já que muitas serão replantadas. O vinho faz estágio de sete meses, 50% em demi-muid de 600 litros, de quarto a décimo uso, e 50% em tanques de concreto. Um Gamay franco e elegante, fácil de beber. O olfativo trouxe aromas de frutas vermelhas e pimenta branca, com notas de especiarias doces, rosas e menta. Na boca, um harmônico conjunto com alta acidez, taninos finos e corpo médio, com frutas bem puras e muito frescor.
Fleurie Chapelle des Bois, 13%
As videiras têm cerca de 30 anos, plantadas em uma parcela de 1,8 hectare e face norte, com solo mais profundo e com a presença de um riacho no meio do vinhedo. Nesta safra, estágio de seis meses em demi-muids. Uma fascinante representação de Fleurie, com duas particularidades: além da orientação “mais fria” do vinhedo, o vinho conta com uma pequena proporção de Aligoté, co-plantado nesta parcela. Olfativo bastante floral (rosas), com frutas vermelhas, menta e discreta nota verdeal. Mais complexo, profundo e amplo no palato que o anterior, um Gamay elegante e fino, com muita vivacidade e fruta pura abundante. Delicioso.
Fleurie Clos de la Grand Cour, 13%
Quando a família Dutraive adquiriu a vinícola em 1969, este era o único vinho em produção, de forma que optaram por manter o rótulo antigo. Este vinhedo de 6,4 hectares é um monopole da vinícola. Com estágio somente em carvalho, é mais clássico e tradicional, e responde por boa parte da produção. Olfativo com frutas vermelhas e especiarias, com uma boca mais ampla, trazendo corpo médio, taninos um pouco mais rústicos e alta acidez.
Cuvée Vieilles Vignes Les Clos, 14%
As uvas, com uma colheita um pouco mais tardia que o anterior, também têm origem no Clos de la Grand Cour. Porém, são provenientes de uma seleção de vinhas velhas (entre 50 a 70 anos), o que garante uvas mais concentradas. E esta combinação faz a diferença. Um Gamay muito mais concentrado, musculoso e intenso. Com frutas mais maduras e especiarias no nariz, mostrou taninos mais firmes e longa persistência, um vinho de alta gama que precisa de mais tempo para chegar ao seu pico.
Os vinhos da Domaine de la Grand’Cour e da Famille Dutraive chegam ao Brasil pela Clarets.