Na última edição da Wine Paris, foi um prazer visitar o estande do Château Musar e ter uma breve conversa com o principal executivo da vinícola, Gaston Musar, e com seu enólogo, Tarek Sakr. Provei diversos vinhos, com destaque para duas safras de cada um de seus ícones, Château Musar Rouge e Château Musar Blanc.
O Château Musar Rouge é um dos dois principais vinhos desta vinícola histórica. É um corte, em partes iguais de Cinsault, Carignan e Cabernet Sauvignon, provenientes de vinhedos distintos, de cultivo sem herbicidas ou pesticidas. Na vinificação, 100% de uvas desengaçadas, uso exclusivo de leveduras indígenas em tanques de concreto, mínimo uso de sulfitos e maceração de até quatro semanas, com 12 meses em carvalho francês. Após este período, blending em tanques de concreto, onde ocorre a conversão maloláctica e novo estágio, desta vez em garrafas, por cerca de quatro anos, sem outros aditivos ou colagem. Em geral, o vinho chega ao mercado sete anos após a safra.
Já o Château Musar Blanc é um corte de cerca de dois terços de Obaideh e um terço de Merwah, duas uvas autóctones com mais de seis mil anos de tradição na região do Líbano. Usando uvas de vinhedos acima de 1.300 metros de altitude, fermentação em barricas francesas, onde o vinho fica de seis a nove meses. O blend ocorre após o primeiro ano e o vinho passa por estágio em garrafa por mais seis anos.
Château Musar Blanc
A prova trouxe dois vinhos, a safra corrente (2019) e a de 2006. No caso do primeiro vinho, coloração amarela-palha, com olfativo marcado por aromas cítricos e florais (sobretudo flor de laranjeira), com toque de maçãs secas. O palato se mostrou seco e envolvente, com alta acidez, textura cremosa, corpo médio e notas de frutas brancas e de cedro. Já o 2006 mostrou um perfil muito mais complexo, com coloração dourada, nariz que também trouxe notas de mel e açafrão. Mais denso na boca, com toque de lanolina (lembrando um pouco Sémillon), redondo, mas com frescor e final longo.
Château Musar Rouge
Aqui também a diferença foi significativa, mais uma prova do enorme potencial de evolução destes vinhos. O 2019 trouxe olfativo rico, com frutas vermelhas, canela e toque de cedro, com boa de alta acidez, taninos firmes e corpo médio. Já o 1999 prezou pela complexidade: aromas intensos de frutas vermelhas, com notas de especiarias e de pitanga. Palato de boa acidez, taninos plenamente integrados e corpo, com delicadeza, elegância e equilíbrio, sempre mantendo um core de frutas e especiarias.