Last Updated on 25 de outubro de 2024 by Wine Fun
Schiava é uma uva tinta ainda pouco conhecida fora da região italiana do Alto Adige, mas começou a ganhar mais atenção nos últimos anos, por conta dos vinhos que dá origem. Em geral, são vinhos leves e com uma certa rusticidade, mas de muito frescor.
Além do Alto Adige, a Schiava (também chamada localmente de Vernatsch pela população de língua alemã desta província italiana), tem uma presença mais destacada na também na Alemanha. Conhecida como Trollinger, seus vinhedos estão concentrados sobretudo na região de Württemburg, próximo a Stuttgart.
Nome e origem
Na Itália, Schiava se refere a um grupo de uvas (como Schiava bianca, Schiava bresciana, Schiava gentile, Schiava grigia, Schiava grossa, Schiava lombarda e Schiava nostrana) que mostraram ser diferentes clones da mesma variedade. Uma das hipóteses para a origem do nome seria a forma de condução de suas videiras (por ser uma planta de alta produtividade, era cultivada em espaldeiras ou fileiras, não livres, daí a associação com o termo schiavo, ou escravo). Outra possibilidade é que o nome se relaciona à sua possível origem, na região da Eslavônia, que fica no leste da Croácia.
Já o seu nome na Alemanha parece indicar uma ligação com o Alto Adige (em particular como a região é chamada em alemão – Südtirol). A palavra Trollinger, deste modo, derivaria de Tiroler, que descreve os nativos do Tirol.
Um pouco de história
Acredita-se que a Schiava tenha chegado ao norte da Itália e Alemanha a partir da Panônia (uma antiga província do Império Romano delimitada ao norte e leste pelo Danúbio). Os responsáveis teriam sido os Longobardos, uma população germânica que invadiu a Itália no século VIII. Corroborando esta hipótese, análises de DNA mostraram uma relação próxima entre a Schiava e a Gouais Blanc (a “mãe” da Chardonnay), que é originária do leste da Europa.
Sua presença na Itália está documentada ao menos desde o século XI, já que existem diversos documentos notariais nas regiões do Vêneto e Lombardia (como aluguéis de terras, atos de doação e pagamentos de locação), onde aparece o nome da variedade Sclave. Após ser uma variedade de grande cultivo por muitos séculos, nas últimas décadas a área plantada no Alto Adige caiu de forma considerável. Porém, ela vive atualmente um renascimento, por conta da redução dos rendimentos e consequente ganho de qualidade dos seus vinhos.
Características e vinhos
A Schiava é uma uva de cachos de tamanho médio, com grãos também de tamanho médio, casca de espessura média e coloração azul escura. É uma variedade de alto vigor e produtividade, com maturação precoce. Por conta de sua elevada produtividade, foi por muito tempo considerada uma variedade sem grandes atrativos, mas isso mudou muito nos últimos anos.
Na Itália, dá origem a vinhos de coloração rubi de média a baixa concentração, caracterizados no olfativo por notas de frutas vermelhas e amêndoas. Na boca, em geral são vinhos leves, secos e de alta acidez, com taninos de média intensidade. Já na Alemanha, geralmente são vinhos com maior nível de açúcar residual e para consumo ainda jovens.
Área plantada e nomes alternativos
Segundo dados da OIV, a área plantada de Schiava ao redor do mundo, em 2015, era concentrada na Itália e Alemanha, atingindo apenas 3.427 hectares, dos quais 2.280 ha na Alemanha. Apesar da reduzida área de plantio, a variedade é conhecida por uma vasta quantidade de nomes.
Segundo o catálogo da Universidade da California – Davis, os nomes são: Admiral, Aegypter, Aegyptische, Aegyptischer, Aleksandriskii Chernyi, Baccaria, Bacheracher, Bammerer, Barth der Alten, Bilsenroth, Black Gibralter, Black Hambourg, Black Hamburg, Black Hamburgh, Black Prince, Black Tripoli, Blauer Gelbhoelzer, Blauer Trollinger, Blauwaelsche, Bocksauge, Bocksaugen, Bocksbeutel, Bockshoden, Bockstraube, Braddick’s Seedling, Bresciana, Bruxelloise, Chasselas bleu de Windsor, Chasselas de Jerusalem, Chasselas de Windsor, Dachtraube, Dachtrauben, Dutch Hamburgh, Edel Vernatsch, Edelvernatsch, Fleischtraube, Frankentaler, Frankenthal, Frankenthal noir, Frankenthaler, Garston Black Hamburgh, Gelbe Trollinger, Gelbholziger Schwarzblauer Trollinger, Gelbholziger Trollinger, Gros bleu, Gros noir, Gros Plant Grand noir, Gross Italiener, Gross Vernatsch, Grosse Race, Grosser Burgunder, Grossroth, Grossschwarzer, Grossvernatsch, Grossvernatsch blauer, Hammelshoden, Hammelsschelle, Hammelssohlen, Hampton Court Vine, Hudler, Huttler, Imperator, Khei-Khan, Kleinvernatsch, Knevet’s Black Hamburgh, Koelner blau, Kolner blau, Kreuzertraube, Lambert, Lamper, Languedoc, Lombard, Lugiana nera, Maltheser Roth, Malvasier, Malvoisier, Meraner Kurtraube, Ministra, Modri Tirolan, Moerchel, Mohrendutte, Mohrentutte, Morrokin Barbaron, Nougaret Grosse Race, Pfundtraube, Plant de Paris, Pommerer, Pope Hamburgh, Prince Albert, Purple Hamburgh, Queen Victoria, Raisin bleu, Raisin bleu de Frankenthal, Raisiin bleu de Prankental, Raisin bleu Recherche, Raisin de Frankenthal, Raisin de Languedoc, Red Hamburgh, Rheinwein blau, Richmond Villa Hamburgh, Rothelbner, Salisbury Violette, Schavonda di Merano nera, Schiavone, Schiavone di Merano nero, Schliege, Schwarzblauer, Schwarzblauer Trollinger, Schwarzer, Schwarzer Waelscher, Schwarzwaelscher, Spanisch blau, Straihntraube, Suedtiroler Kurtrauben, Teplichnyi Chernyi, Tirolan Crni, Tirolinger, Trolinger, Trolinske, Troller, Trollinger, Trollinger blau, Trollinger Gelbholzig, Trollinger Weissholzig, Trollingi Kek, Tschaggele, Uva Cenerente, Uva Meranese, Uva nera d’Amburgo, Valentines, Vernatsch, Victoria, Victoria Hamburgh, Waelscher, Warner’s Hamburgh, Weissholziger Trollinger, Welke Burgundske, Welko Modre, Zottelwaelscher e Zottler.
Fontes: Foundation Plants Services Grapes, UC Davis; Distribution of the World´s Grapevine Varieties, OIV; Vini Alto Adige; Evidence for a sympatric origin of Ribolla gialla, Gouais Blanc and Schiava cultivars, G. de LorenzisI, S. Imazio, L. Brancadoro, O. Failla, A. Scienza; Quattro Calici