Uma Toscana mais sustentável: dois vinhos tintos da Pācina

Um dos grandes nomes do vinho natural da Toscana, a Pācina tem uma longa história. A propriedade ocupa a área de um antigo mosteiro datado de 900 d.C. localizado em Castelnuovo Berardenga, na província de Siena, na fronteira entre as denominações de origem Chianti Classico e Chianti Colli Senesi. A fase moderna começou em 1933, mas a década de 1970 implicou em uma mudança de rumo. Por conta do trabalho do casal Lucia Carli e Enzo Tiezzi, a Pācina se firmou como um exemplo de sustentabilidade e baixa intervenção na cantina.

Atualmente geridos por Giovanna Tiezzi e Stefano Borsa, são 65 hectares de propriedade, dos quais 11 plantados com videiras. Os demais são dedicados a oliveiras, cereais, legumes e bosques, um exemplo de respeito à biodiversidade. Foi um prazer degustar dois de seus vinhos, em evento organizado em São Paulo por Fernanda Fonseca para seu importador no Brasil, a Barbagianni.

Donesco 2019, Pācina 15%

Quando lançada inicialmente, esta cuvée era chamada de Secondo, pois usava somente vinhas mais jovens. Agora que as vinhas já atingiram 15 anos, a decisão foi mudar seu nome, usando um anagrama. As uvas provêm de um vinhedo de dois hectares e cultivo orgânico, plantado em solo areno-argiloso (Tufa di Siena). Na vinificação, após colheita manual, as uvas passaram por fermentação alcoólica e maceração com as cascas por seis semanas em tanques de concreto, com uso exclusivo de leveduras indígenas. Fez a fermentação maloláctica nos seis meses seguintes e passou 18 meses em tanques de concreto e inox, com mais 12 meses em garrafa. Não recebeu colagemfiltração ou adição de sulfitos antes do engarrafamento.

Um vinho repleto de superlativos, com muita potência e taninos mastigáveis. Mostrou coloração púrpura de média a alta concentração, com olfativo bem intenso, marcado por aromas de frutas negras, piche e especiarias. Na boca, um 100% Sangiovese de boa acidez, encorpado e com taninos muito presentes. Se mostrou exuberante e com muita fruta também na boca, um vinho carnudo e musculoso, que mostrou um teor alcóolico também elevado. Precisa de mais tempo para maior integração. Preço de R$ 210.

Pācina 2015, Pācina 14%

O nome que carrega o nome da vinícola é certamente o seu mais significativo. Segue sendo um dos símbolos da vinicultura natural da Toscana, mantendo um estilo que remete às tradições locais. É um corte de 95% Sangiovese 5% de Canaiolo e Ciliegiolo, elaborado a partir de um vinhedo de cerca de 6,5 hectares e alta proporção de vinhas velhas, algumas chegando a 65 anos. Fermentação alcoólica espontânea e maceração com as cascas por seis semanas em tanques de concreto onde faz também a fermentação maloláctica. O vinho ficou 14 meses em barris de 500 litros e botti de 17 a 25 hl de castanho de Allier, com mais 18 meses em garrafa antes do início da comercialização. Também não recebeu filtração, colagem ou adição de sulfitos antes do engarrafamento.

Na comparação com o anterior, um vinho muito mais equilibrado, elegante e profundo, sem perder a sua pegada “mais natural”. Coloração rubi já indo para o granada, com olfativo mais complexo, mostrando notas de frutas vermelhas e negras, especiarias, ervas verdes e toque balsâmico. No palato, mostrou alta acidez, taninos presentes, mas já resolvidos, com corpo médio e muita vivacidade. Um conjunto mais equilibrado e de maior tensão, com fruta abundante e notas de ervas secas também no gustativo. R$ 348.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *