Uma viagem pela Itália através dos vinhos de Angelo Gaja

Foi um prazer participar de uma degustação com alguns dos vinhos do amplo portfólio da Gaja, vinícola familiar italiana que ganhou fama inicialmente por seus Barbarescos. Hoje, porém, atuam em quatro áreas distintas, incluindo a tradicional propriedade no Piemonte. A expansão começou pela Toscana, com uma propriedade em Bolgheri e outra com foco em Brunello de Montalcino, culminando com uma joint-venture na região do Etna. Os vinhos chegam ao Brasil pela Mistral e, neste evento, organizado no restaurante Assador, foram apresentados sete rótulos por seu diretor comercial, Francesco Giardino.

Idda Bianco 2023, 13,5%

Monovarietal de Carricante, elaborado pela joint-venture entre Gaja e Alberto Graci a partir de um vinhedo a 820 metros de altitude na parte sudoeste do maior vulcão ativo da Europa. Fermentação 80% em inox e 20% em barris franceses de 1.000 litros e tonéis Stockinger de 5.000 litros, com maloláctica parcial e estágio de oito meses. A safra 2023 foi uma das mais complicadas na recente história do Etna, com volumes diminutos em função de chuvas constantes e baixas temperaturas. Considerando as condições, o vinho entregou um bom resultado, embora com a fruta ficando em segundo plano frente a notas de carvalho e manteiga. Coloração amarelo verdeal, com olfativo marcado por notas de cedro, abacaxi, frutas brancas e notas cítricas e florais. Palato de alta acidez, corpo médio e de certa untuosidade, um Carricante redondo com a madeira ganhando mais proeminência no final da boca. R$ 1.003.

Promis 2022, 14%

Este vinho representou a propriedade dos Gaja em Bolgheri, região da Toscana que se destaca pelos seus tintos elaborados sobretudo a partir de uvas de origem francesa. Corte de 60% Merlot, 30% Syrah e 10% Sangiovese que conseguiu mostrar um perfil com frescor e elegância mesmo em uma safra extremamente quente e seca como 2022. Talvez isso resulte da decisão de usar uma proporção (15% a 20%) de cachos inteiros na vinificação, que fechou com 12 meses de estágio em barricas. Coloração rubi de média a baixa concentração, com olfativo complexo. Destaque para os aromas de frutas vermelhas e negras (cereja e mirtilo), com discretas notas de pimentão, alcaçuz e toque lácteo e de cedro. Palato de boa acidez, corpo médio e taninos firmes, um corte saboroso, preciso, bem seco e equilibrado. R$ 1.066.

Magari 2020, 14%

Corte de 60% Cabernet Franc, 30% de Cabernet Sauvignon e 10% de Petit Verdot, também com origem em Bolgheri e com fermentação individual para cada variedade e estágio de 12 meses em barricas, incluindo carvalho novo. Clara inspiração bordalesa, um corte expressivo, intenso e profundo. Olfativo onde a Cabernet Franc predominou, com frutas vermelhas e negras, violeta, grafite e especiarias. Boa acidez, corpo médio a alto e taninos presentes, mas finos, com bastante estrutura, de longe, o vinho mais encorpado do painel. R$ 1.316

Pieve Santa Restituta Brunello di Montalcino 2019, 14,5%

Foi para mim a grande surpresa positiva do painel, um tinto elegante e fino, já pronto para consumo (algo incomum para um Brunello de uma safra de alta gama). Estágio de 30 meses em vários formatos de barris, com mais seis meses em tanques de cimento. Exuberante tanto no nariz como no gustativo, com aromas de frutas vermelhas, cedro e toque de ervas verdes. O palato foi o ponto alto, com alta acidez, corpo médio, taninos finos e arenosos, um 100% Sangiovese vertical, equilibrado e de muita vivacidade, com fruta na medida, múltiplas camadas e discreto toque salino no final. R$ 1.812.

 Gaja Sito Moresco 2022, 14%

Este Rosso Langhe é um corte de 60% Nebbiolo e 40% Barbera que mostrou bem as condições da safra 2022. Coloração rubi média, com fruta vermelha e madura, leve tabaco, lavanda e toque de cedro. Palato de alta acidez, taninos finos, mas sem plena integração e corpo médio a alto, com uma explosão de frutas. R$ 1.228.

Gaja Barolo Dagromis 2019, 14%

O Dagromis tem origem em quatro parcelas em Serralunga e três em La Morra. Após três semanas de fermentação em inox, o vinho estagiou em barricas durante 12 meses e em botti durante 18 meses. Este pode ser considerado o Barolo “de entrada” de Gaja, mas mostrou seu pedigree em uma safra de ótima reputação como a de 2019. Coloração granada de baixa concentração, com aromas de cerejas vermelhas, tabaco e notas florais. Palato de alta acidez, corpo médio, com taninos presentes e finos, boa concentração e estrutura, trazendo uma interessante composição entre a potência de Serralunga e a elegância de La Morra. R$ 1.875.

Gaja Barbaresco 2020, 14%

A safra 2020 é uma das mais “prontas” dos últimos anos no Piemonte e este vinho de altíssima gama evidencia isso. Combinando verticalidade, profundidade e elegância, tem ainda um belo potencial de garrafa, mas já está exuberante e muito prazeroso. Olfativo fresco, com aromas de morango, cereja vermelha, rosas e toque de especiarias doces, com um palato encantador. Alta acidez, corpo médio e taninos finos em um vinho muito preciso e de múltiplas camadas. Não é à toa que Gaja ganhou a reputação entre os grandes produtores desta denominação de origem. R$ 5.017.

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