Vertical de Nuits Saint Georges Premier Cru Rue de Chaux, Dominique Laurent

Last Updated on 17 de março de 2024 by Wine Fun

Uma denominação de origem com três personalidades distintas. Se os vinhos da parte norte de Nuits-Saint Georges são considerados mais florais, complexos e elegantes, aqueles dos vinhedos ao sul da denominação são vistos como mais leves, com maior espaço para uvas brancas. E o que dizer dos vinhedos na sua parte central, aqueles mais próximos da cidade? Este é o caso do vinhedo Rue de Chaux, o primeiro Premier Cru ao sul de Nuits-Saint Georges, praticamente em sua área urbana.

É a partir de uvas deste vinhedo que Dominique Laurent elabora seu Premier Cru Rue de Chaux. Como poderia se esperar, é uma cuvée que reflete bastante as condições de cada safra. E poder degustar safras distintas traz uma boa percepção de como as condições afetaram o estilo dos vinhos. Neste caso, optamos por quatro safras distintas (2010, 2011, 2013 e 2015). Como os vinhos podem ser comparados?

Dois extremos

O vinho da safra 2010 é, sem dúvida, especial. Em uma degustação anterior, esta cuvée conseguiu se colocar em nível muito próximo do Nuits 1er Cru Vieilles Vignes, da mesma safra, da Domaine Prieuré-Roch. Um vinho elegante, complexo e de altíssima qualidade, com características minerais, muita fruta vermelha (morango, cerejas) fresca, textura muito presente e notável profundidade. Pronto para consumo, conseguiu combinar frescor com diversas camadas, tanto na boca como olfativo.

O que dizer, por sua vez, do 2011? A descrição da safra por Jancis Robinson dá pistas: “Qualidade decepcionante, com podridão generalizada e condições climáticas irregulares ao longo do ano”. O vinho certamente refletiu as condições climáticas mais difíceis, com um olfativo mais herbáceo e com fruta menos madura, acompanhado por notas de madeira velha e estrebaria. De concentração mais baixa e menos profundidade, a acidez predominou, com corpo médio a baixo e taninos mais secantes. Um vinho mais austero e seco, que lembrou vinhos de clima mais frio ou colheitas prematuras.

Duas personalidades

A safra 2013 foi relativamente confusa, mas este vinho soube superar as dificuldades. A presença de frutas vermelhas (morango) mais frescas e notas florais no olfativo, com leve toque mineral, anunciou um vinho mais elegante. Mas na boca, os taninos ganharam a cena, e, mesmo dentro um contexto de boa acidez e frutas bem presentes, resultou em um vinho mais rústico, menos complexo, embora refrescante. Um belo vinho, mais prazeroso que o 2011, mas não no mesmo patamar do 2010.

Por fim, o exemplar de 2015 já começou a mostrar suas qualidades, embora claramente esteja longe de seu ápice. Se alguns críticos compararam 2015 com a safra 2005, de vinhos tão longevos, este exemplar de pistas que o paralelo pode fazer sentido. Muita fruta vermelha fresca no nariz, acompanhada por notas minerais, pimenta, especiaria; no gustativo já se mostrou um vinho de múltiplas camadas e maior estrutura, com acidez marcante, taninos finos e secos. Um vinho delicioso, que deve ganhar maior complexidade elegância com o passar dos anos, parece uma excelente aposta para aquisição imediata e consumo alguns anos à frente.

Conclusão

Quatro vinhos de excelente qualidade, mas de características distintas.  Para quem quiser um vinho pronto para consumo, o 2010 aparece como a melhor opção. Já pensando em potencial de evolução, o 2015 tem muito a ganhar, mesmo a partir do alto padrão de qualidade já evidenciado seis anos após sua safra. O 2013 ficou em um patamar ligeiramente abaixo, mas ainda um vinho de alta gama, enquanto o 2011 fechou em um nível inferior, menos estruturado e equilibrado, possivelmente com menor potencial de evolução.

Os vinhos de Dominique Laurent são importados para o Brasil pela World Wine e estes exemplares foram adquiridos em julho de 2021. Atualmente, estão sendo comercializados na faixa entre R$ 1 mil e R$ 1,2 mil por garrafa.

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