O mundo parece caminhar para um modelo mais sustentável de agricultura. Os consumidores valorizam, cada dia mais, os produtos agrícolas orgânicos e pagam mais caro pelo privilégio de consumir alimentos cultivados sem herbicidas ou pesticidas. E isso chegou também ao mundo do vinho.
Mas sabemos que o cultivo sem herbicidas é mais caro e mais trabalhoso. Um estudo publicado por um conjunto de Câmaras de Agricultura francesas busca quantificar esta questão. O foco é no impacto econômico da decisão de eliminar estes produtos químicos dos vinhedos.
O estudo
O estudo, organizado por diversas Câmaras de Agricultura francesas (entre elas as das regiões como Loire, Borgonha, Beaujolais, Champagne, Rhône e Córsica) é uma síntese de 18 estudos regionais. Na maior parte das vinícolas analisadas, a maioria delas, 13 sendo o número exato, já havia iniciado a redução na aplicação de herbicidas em seus sistemas de cultivo.
O estudo considerou o conceito de “Herbicida Zero”, determinado por um grupo de especialistas. Com base nos dados técnicos e econômicos iniciais dos modelos e operações do estudo, foram avaliadas as consequências econômicas e sociais da implementação dessa nova técnica. Foram usadas três hipóteses distintas de perda de rendimentos: 5%, 10% e 20%, todos em relação ao rendimento inicial dos vinhedos.
Resultados
Em média, a implantação de uma agricultura “Herbicida Zero” levaria a um aumento de 8% nos custos totais do vinho por hectolitro, na hipótese de perda de de rendimento de 5%. Os custos subiriam 13% para uma queda de 10% nos rendimentos e 27% caso a perda fosse de 20%. E um dos principais fatores seria a necessidade de maior trabalho manual nos vinhedos.
Para as propriedades que já haviam iniciado a transição, o aumento do tempo de trabalho varia entre 3 a 11 horas por hectare. Para os outros, a carga adicional seria equivalente a quase 14 h/ha. E a questão não é apenas financeira. No Vale do Loire, por exemplo, os produtores precisariam recrutar cerca de 200 pessoas qualificadas por quatro meses. E isso parece difícil de aplicar, em um contexto já complicado de escassez de força de trabalho.
Busca de preços maiores
O estudo traz uma estimativa média de redução na colheita em 10%, o que, por sua vez, levaria a redução da renda atual familiar entre € 10.000 e 20.000 por ano, mantidos os preços dos vinhos. E este é um ponto muito importante. Em geral, o preço de vinhos elaborados a partir de vinhedos orgânicos é maior do que aqueles feitos com uvas de agricultura tradicional.
Segundo o estudo, para compensar as perdas de produtividade e maiores custos, os viticultores teriam que aumentar o preço médio por hectolitro de vinho entre 3% e 22%. A conclusão do estudo é que o consumidor teria que arcar com a diferença, de preferência se existisse algum incentivo do poder público.
Fontes: Une viticulture sans herbicide: quels impacts economiques sur l’exploitation? Inosys Viticulture; Vitisphere