Vinho na prática: saiba como decifrar os rótulos e entender melhor suas informações

Last Updated on 3 de maio de 2021 by Wine Fun

Para quem está começando a descobrir o maravilhoso mundo do vinho, uma das primeiras coisas a saber é como decifrar um rótulo. Pode parecer simples para quem já é mais experiente no assunto, porém há uma enorme quantidade de informações nos rótulos. E estas informações são muito úteis na hora de comprar um vinho e, também, para entender melhor o que está sendo bebido.

A quantidade de informações varia bastante, sobretudo de acordo com a região de origem do vinho, como veremos a seguir. Porém, algumas informações estão sempre lá, como nome do vinho e do produtor, região e país de origem, além de sua safra e seu teor alcóolico. Já dentre aquelas nem sempre presentes, a que causa mais dúvidas é a variedade de uva usada. E vamos começar por ela.

Velho Mundo versus Novo Mundo

Antes de entender a questão da uva, é importante saber qual a origem do vinho, pois é isso que determina se o nome da uva estará ou não presente no rótulo. De modo geral, podemos dividir os países produtores de vinho em dois blocos: Velho Mundo e Novo Mundo. Na definição de Velho Mundo entram os países europeus com muita tradição na vinicultura, como França, Itália, Espanha, Alemanha e Portugal. Novo mundo, por sua vez, inclui principalmente os países das Américas, África e Oceania.

Como você pode imaginar, o Velho Mundo tem uma tradição mais longa. E isso acaba sendo refletido na informação disponível nos rótulos de seus vinhos. Nestes países, os produtores de determinadas regiões criaram, juntamente com autoridades locais e nacionais, regras para a elaboração de seus vinhos. Isso deu origem ao conceito de denominações de origem.

Por exemplo, os produtores da região francesa da Borgonha, onde a principal variedade tinta é a Pinot Noir, são sujeitos a um conjunto de regras que exige que, para que um vinho tinto possa ser engarrafado como Borgonha (ou qualquer mais de 100 denominações de origem locais), ele deve ser elaborado a partir da Pinot Noir.

Denominação de origem e variedade  

Portanto, ao beber um Bougogne Rouge (Borgonha tinto), você estará automaticamente bebendo Pinot Noir. Por conta disso, nos rótulos de vinhos da Borgonha, não consta o nome da uva, somente o nome da denominação de origem. E isso ocorre em praticamente todas as regiões mais tradicionais da Europa.

Ao escolher um vinho da denominação de origem Rioja, na Espanha, no rótulo não constará a informação de que foi elaborado com diferentes proporções de Tempranillo, Garnacha, Graciano, Mazuelo ou Maturana Tinta. Ou se pedir um Barolo ou Barbaresco (duas denominações de origem do Piemonte, na Itália), não encontrará menção à uva Nebbiolo no rótulo. E isso vale para grande parte dos vinhos europeus.

Por outro lado, isso não ocorre nos países do Novo Mundo e mesmo em outros países europeus. Seja por regulamentos locais (como na Alemanha) ou menor tradição na elaboração de vinhos, nestes casos o nome da uva sempre estará estampado nos rótulos. Basta procurar e você encontrará o nome de uvas como Cabernet Sauvignon, Merlot, Chardonnay, Riesling, entre tantas outras.

Nome do vinho

Uma vez esclarecida a questão da variedade de uva, é interessante saber qual o nome do vinho. Alguns produtores são bem criativos e criam nomes divertidos ou marcantes para seus vinhos, que são fáceis de detectar nos rótulos. Nestes casos, em geral, os nomes são as informações mais visíveis, usualmente destacadas em letras maiores.

Outros, porém, não mostram tanta criatividade e sequer dão “nomes próprios” aos seus vinhos. Por exemplo, um produtor, que vamos chamar de Alberto, pode chamar seu vinho feito a partir da Pinot Noir simplesmente como “Pinot Noir Alberto”. Assim, o nome do vinho e da uva são o mesmo. Por incrível que pareça, isso é bastante comum, principalmente para os vinhos mais simples destes produtores.

No caso de vinhos de regiões mais tradicionais da Europa (e de forma crescente também em vinhos de alta gama do Novo Mundo), o nome do vinho pode fazer referência a um vinhedo ou parcela específica de um vinhedo. Nestes casos, podem aparecer em grande destaque no rótulo e, no contra-rótulo, geralmente vêm próximos do nome da denominação de origem.

Nome do produtor, região de origem e país

Estas três informações estão sempre estampadas nos rótulos. O nome do produtor é geralmente uma das mais evidentes, quase sempre em letras maiores e na parte superior do rótulo. Já o país de origem também é obrigatório, embora geralmente não tão evidente, na maioria das vezes na parte inferior do rótulo.

Quanto à região de origem, em geral a cidade ou região aparece logo antes do nome do país, sobretudo em vinhos de produtores do Novo Mundo. Para países europeus, porém a denominação de origem aparece na maioria das vezes em grande evidência no rótulo, geralmente acompanhada por expressões (escritas em fontes menores) como Appellation (França), Denominazione di Origine (Itália) ou Denominación de Origen (Espanha).

Outras informações

Em alguns rótulos, é comum encontrar expressões como Reserva, Gran Reserva, Reservado etc. No caso de vinhos que fazem parte de denominações de origem, elas podem ser uma fonte importante de informações, pois para estampar isso no rótulo o produtor deve ter cumprido uma série de exigências. Em outros casos, são informações mais de cunho mercadológico ou que representam algum tipo de hierarquia interna dos vinhos de cada produtor.

O teor alcóolico e a safra são informações obrigatórias (com raras exceções, como no caso de vinhos não safrados – sendo os Champagnes um exemplo comum). No caso das garrafas vendidas no Brasil, também a obrigatória uma indicação de volume (em geral, as garrafas são de 750ml) e se o vinho contém ou não sulfitos.  Produtores que possuem certificações orgânicas ou biodinâmicas costumam incluir selos indicando isso em seus rótulos ou contra-rótulos.

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