Vinhos naturais: quem vai avaliar e certificar dentro da nova classificação?

Last Updated on 17 de junho de 2020 by Wine Fun

O anúncio de uma classificação para vinhos naturais, que deu origem à classificação Vin Méthode Nature na França, ainda segue reverberando no mundo dos vinhos naturais. Se dentre as várias controvérsias a questão referente ao uso de sulfitos criou tensões dentro do grupo de produtores, há uma outra questão central que divide opiniões.

Quem vai fiscalizar as práticas dos produtores no sentido de cumprir os pré-requisitos definidos pelo Syndicat de Défense des Vins Nature, que formulou a proposta? Se na classificação de vinhos orgânicos e biodinâmicos existem entidades certificadoras que fazem este trabalho, de quem é a responsabilidade no caso dos vinhos naturais?

A resposta veio do próprio Syndicat de Défense des Vins Nature, que se prontificou a desempenhar este papel. O sindicato propõe fazer dois tipos de verificação. No primeiro, será feito, de forma aleatória, um controle de resíduos de pesticidas sintéticos por um laboratório independente, em pelo menos 1% dos cuvées dos produtores que quiserem aderir à classificação.  A segunda inclui a análise de sulfitos, turbidez, etc. de todos os cuvées, além de uma auditoria nos livros de adega, permitindo a rastreabilidade das práticas vinícolas.

Além destas análises, o sindicato reserva-se o direito de contratar auditorias externas adicionais, por um órgão fiscalizador reconhecido pelo ministério relevante, para qualquer situação que considere suspeita.

Este é um ponto central da questão. Todos esses procedimentos resultam em custos relativamente altos, e para fazer frente a eles, o sindicato depende exclusivamente das contribuições de seus membros. Em outras palavras, para fazer parte do sindicato e ter a possibilidade de ter seus vinhos assim classificados, os produtores terão que colocar a mão no bolso.

E esta questão dos valores não é trivial. No caso das certificações tanto orgânicas como biodinâmicas, os custos são elevados, o que acabou desincentivando muitos produtores, especialmente os de pequeno porte, a ter seus vinhos classificados.

Agora resta aguardar qual será a reação dos produtores a esta proposta. Segundo dados do sindicato, já há cerca de 90 produtores participantes, número que vem crescendo. A título de comparação, o número de vinícolas atualmente certificadas pelas duas principais certificadoras biodinâmicas, Demeter e Biodyvin, está próximo de 730 produtores diferentes.

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