Joško Gravner é um dos grandes nomes da vinicultura italiana, responsável pela reintrodução de técnicas ancestrais na elaboração de vinhos de variedades brancas. Após experiências com técnicas modernas, como tanques de inox e barricas, Gravner optou por elaborar seus vinhos com procedimentos utilizados há milhares de anos na Geórgia, com destaque para a fermentação de uvas brancas com suas cascas em ânforas de terracota.
Entre seus vinhos, talvez o mais simbólico seja o Ribolla Gialla. Esta variedade autóctone da região, que abrange o Collio italiano e a Brda eslovena, representa bem esta área que, como Gravner, compartilha a herança destes dois países. As uvas provêm de videiras de cultivo ancestral (englobando diversos princípios das agriculturas orgânica e biodinâmica, porém sem certificação) plantadas em solos de ponca. Na vinificação, fermentação com suas cascas em ânforas enterradas usando somente leveduras indígenas e sem controle de temperatura, com maceração de cerca de cinco meses. Após trasfega e prensagem, são mais cerca de sete meses em ânforas, seguidos por seis anos de estágio em botti de carvalho da Eslavônia e mais seis meses em garrafas antes do lançamento.
Ribolla Gialla 2016
Elaborado com 20% de cachos inteiros, é um vinho de grande estrutura, profundidade e final de boca muito longo. Mostrou, todavia, uma personalidade mais austera, onde a fruta (notas de pêssego branco, com notas de flor de laranjeira) ganhou a companhia de notas de ervas verdes, resultando em um vinho, que dentro da amplitude dos vinhos de Gravner, se mostrou mais direto e vertical. Acidez média a alta, taninos bem presentes e elevada salinidade, com toques fenólicos pronunciados. É a última safra lançada e certamente mostra uma longa trajetória à frente.
Ribolla Gialla 2013
Se o vinho anterior mostrou uma certa austeridade, aqui a mensagem foi diferente. Embora de uma safra bastante chuvosa, mostrou-se muito perfumado, com enorme vivacidade. Chamou a atenção pelas notas de botrytis (tanto na forma de açafrão, mel e própolis), que, combinadas com fruta branca mais intensa e um toque de baunilha, compuseram um olfativo rico e abundante. Com taninos mais integrados, trouxe enorme estrutura, profundidade, textura sedosa e percepção de maior amplitude de boca. Este palato complexo foi envolto por notas salinas e umami, formando um conjunto de boa tensão e muita qualidade.