Cerretta: um vinhedo em Serralunga d’Alba com múltiplas expressões

Last Updated on 1 de maio de 2024 by Wine Fun

Embora seja possível fazer generalizações das características de um vinhedo, de acordo com sua localização, alguns deles parecem ter identidade própria. E este é o caso da MGA Cerretta, que fica em Serralunga d’Alba. Alessandro Masnaghetti, que conhece os vinhedos da região de Barolo como poucos, que o diga. Ao descrever Cerretta, que ele destaca entre os melhores vinhedos de Serralunga d’Alba, deixou claro “Acima de tudo, Cerretta é Cerretta, não Serralunga d’Alba”

É uma MGA (ou Menzione Geografica Aggiuntive) com grande diversidade, seja por conta das diferenças de solos, altitudes e exposições, mas também pela significativa quantidade de produtores que cultivam e elaboram vinhos nesta área. São 20 vinícolas diferentes engarrafando vinhos a partir dos vinhedos de Cerretta, algo bastante incomum no Barolo. Para quem gosta de comparar estilos de produtores, é uma MGA que permite explorar esta diversidade.

Breve histórico

Apesar do alto número de produtores e do fato de Cerretta já ter menção no mapa de 1971 de Renato Ratti, entre as áreas mais nobres de Serralunga d’Alba, sua história é relativamente recente. De fato, além do Barolo Vigna Cerretta de 1980 de Franco Cesari e do Barolo Rapet de 1986 de Ca’ Rome, poucos vinhos tinham Cerretta no rótulo até a década de 1990. Foi em 1993, 1995 e 1996 que Ettore Germano, Giovanni Rosso e Luigi Baudana, respectivamente, lançaram seus vinhos desta MGA, ainda hoje entre as principais referências desta área.

Localização e uvas

Esta MGA de 39,93 hectares é a terceira maior de Serralunga d’Alba, somente atrás de Fontanaffreda e Boscaretto, que ficam nas duas extremidades do commune. Cerretta se situa em altitudes entre 255 e 390 metros, a nordeste de Serralunga d’Alba, já próximo da divisa leste da denominação de origem Barolo. Tem como vizinhas as MGAs de Baudana, Teodoro, Prapó e Meriane.

Barolo MGA, l’Enciclopedia delle Grandi Vigne di Langa, Alessandro Masnaghetti Editore Enogea

É uma área onde a Nebbiolo reina quase soberana. Cerca de 91% dos vinhedos contam com a uva mais nobre do Piemonte. A seguir vem Barbera (5%) e Dolcetto (2,5%), além de pequenas parcelas de Chardonnay, Merlot, Pinot Noir e Freisa. Por ser considerada uma área nobre, a grande maioria da Nebbiolo é destinada à produção de Barolo, praticamente sem nenhum espaço para Langhe Nebbiolo ou Langhe Rosso.

Três setores

Por conta de sua complexidade e topografia (contém o Bricco Cerretta, que, com 390 metros, tem a maior altitude na parte norte de Serralunga d’Alba), pode ser dividida em três setores: Bricco Cerretta, Cerretta Pianni e Cerretta. O primeiro, menor em termos de área e mais exposto, corresponde à parte mais alta da colina. É o único que conta exclusivamente com solos de margas de Sant’Agata. Cerretta Pianni, em contraste, é mais consistente e tem exposição noroeste, considerada mais fria. Seus solos são mais evoluídos, independentemente da formação geológica associada.

Cerretta é o mais fragmentado e pode ser dividido em pelo menos mais quatro zonas. A primeira delas está voltada para o oeste, com vista para Baudana e Meriame, e solos de margas de Sant’Agata. Do outro lado da colina, dois estão voltados para leste, dos quais o primeiro corresponde à parte superior de Teodoro, enquanto o segundo está concentrado em torno de um pequeno anfiteatro, perto de Bricco del Ghè. Por fim, a quarta zona deste terceiro setor compreende a encosta íngreme que desce do Bricco del Ghè em direção sudeste para Cascina Sordo, com solos jovens de cor muito clara.

Vinhos e produtores

Existe uma grande variabilidade de solos, pois Cerretta fica em uma área de intersecção de solos e formações geológicas. Porém, apesar disso, existe uma relativa homogeneidade entre os vinhos desta MGA. Em geral, eles se caracterizam por boa estrutura, taninos maduros, boa concentração de cor e presença intensa de fruta, o que acaba requerendo mais tempo para total integração.

Embora haja produtores com parcelas em cada um dos três setores, vale a pena segmentar por setor, até para poder entender melhor os vinhos. Em Bricco Cerretta se destacam Elio Altare (com seu Barolo Cerretta Vigna Bricco), Paolo Scavino e Schiavenza. Já em Cerreta Piani, os principais destaques são Giacomo Conterno, Luigi Baudana, Prunotto e Azelia. Por fim, o setor Cerretta é aquele com maior diversidade, incluindo nomes como Ettore Germano, Giovanni Rosso, Prunotto, Rèva, Fratelli Revello e Claudio Alario.

Fontes: Consorzio di Tutela Barolo Barbaresco Alba Langhe e Dogliani; Barolo MGA Volume 1 , l’Enciclopedia delle Grandi Vigne di Langa, Alessandro Masnaghetti.

Imagem: Arquivo Pessoal

Mapa: Barolo MGA, l’Enciclopedia delle Grandi Vigne di Langa, Alessandro Masnaghetti Editore Enogea – www.enogea.it

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