Last Updated on 23 de julho de 2020 by Wine Fun
Clos Rougeard se tornou mais que uma vinícola, se transformou em uma espécie de lenda entre os apreciadores de grandes vinhos. Não somente pelos seus monovarietais de Cabernet Franc, mas também pelo seu único vinho branco, considerado por muita gente como uma das melhores expressões de Chenin Blanc no mundo.
E a admiração não fica somente por conta dos apreciadores de vinhos. Charles Joguet, um importante produtor do Loire, uma vez disse “”existem dois sóis. Um brilha lá fora para todos. O segundo brilha na adega dos Foucaults”, se referindo à Clos Rougeard, na época administrada pelos irmãos Jean-Louis (Charly) e Bernard (Nady) Foucault.
Longa tradição
Se os irmãos Charly e Nady colocaram a Clos Rougeard no olimpo dos vinhos, também representaram a última geração da família Foucault a controlar a vinícola. Cerca de 18 meses após a morte de Charly, em 2015, a Clos Rougeard foi vendida para os bilionários Martin e Olivier Bouygues, que criaram sua fortuna de € 2,3 bilhões em telecomunicações e no mercado imobiliário. E este não foi o primeiro investimento deles em vinhos, já que também são co-proprietários do Château Montrose, no Bordeaux.
Com a venda, se encerrou um ciclo de nove gerações da família Foucault no controle das terras que estavam de posse da família desde 1664 e que viriam a formar a Clos Rougeard. Foi o avô de Charly e Nady que registrou o nome Clos Rougeard e passou a engarrafar sua produção, há mais de um século, numa época em que a maioria dos viticultores vendia suas uvas a granel.
Mas foi o trabalho destes dois irmãos, que assumiram a vinícola em 1969, que trouxe maior destaque à Clos Rougeard. Ficaram conhecidos pelo pioneirismo da prática de agricultura orgânica desde a década de 1970 e se tornaram exemplo para muitos outros, mostrando que era possível fazer vinhos excepcionais a partir de uvas orgânicas.
Estrela de Saumur-Champigny
Localizada em Chacé, entre Tours e Angers, a Clos Rougeard controla 10 hectares no centro da Vale do Loire, nove dos quais (100% dedicados ao cultivo de Cabernet Franc) na denominação Saumur-Champigny, conhecida por produzir alguns dos melhores vinhos desta uva do mundo. O hectare restante foi adquirido em 1993 e faz parte da denominação Saumur Blanc e é plantado com Chenin Blanc, que é usada para único vinho branco produzido por eles
Além da agricultura orgânica, com a vinícola deixando claro que jamais qualquer produto químico foi usado no cultivo, as práticas agrícolas incluem uma limitação estrita no rendimento dos vinhedos. Trabalham com baixa densidade de vinhas por hectare e também com a prática de podar suas videiras para um máximo de seis cachos por planta. Essa combinação produz uvas altamente concentradas, capazes de gerar vinhos com grande potencial de guarda.
Após colheita manual, a vinificação trabalha apenas com leveduras indígenas. No caso dos tintos, os vinhos passam por uma fermentação de quatro a seis semanas e maceração em tonéis de cimento abertos, com extração suave. Isso é seguido pelo envelhecimento de 18 a 24 meses em barricas (o período varia para cada vinho), baixo uso de sulfitos, sem filtragem ou colagem antes do engarrafamento. Produzem cerca de 20.000 garrafas ao ano.
Seus vinhos
A Clos Rougeard regularmente lança quatro vinhos por safra (embora não seja incomum que isso mude, caso não sejam atendidos os critérios internos): três vinhos tintos monovarietais de Cabernet Franc e um branco, elaborado a partir de Chenin Blanc. Os vinhedos dos tintos têm uma composição de solos mistos com base de calcário, enquanto o branco vem do famoso vinhedo Brézé, com seu solo de calcário com grande concentração de conchas, considerado o ideal para a Chenin Blanc.
As uvas de seu vinho tinto mais estruturado, o Le Bourg, vêm de um vinhedo de cerca de um hectare, com videiras de idade entre 75 e 95 anos. Seu estágio em madeira é em barricas de carvalho novo francês, com uma produção de apenas 4.000 garrafas ao ano. Já o Les Poyeux inclui uvas Cabernet Franc de um vinhedo de 2,9 hectares, de videiras de 40 a 70 anos que ficam ao lado da vinícola, e passa por estágio em barris usados, geralmente com um ano de uso.
Por fim, o seu último tinto, o Clos (muitas vezes também conhecido como Saumur-Champigny), é elaborado com uvas provenientes de parcelas distintas em três vilarejos (Chacé, Varrains e Dampierre) e, assim como o Les Poyeux, passa por barris de carvalho usado, porém de múltiplos usos, geralmente provenientes de vinícolas da região de Bordeaux.
Seu único vinho branco, o Brézé, é elaborado a partir de uvas de uma parcela de um hectare, de videiras de Chenin Blanc de mais de 100 anos. O estilo do Brézé é determinado pelas condições da safra, e pode ser Sec, Demi-Sec ou Moelleux. É envelhecido em 20% de barris novos, e raramente passa por fermentação malolática.
Presente e futuro
A percepção é que, mesmo após a venda da vinícola, o estilo, cuidado com as vinhas e vinificação foram mantidos. No entanto, o que se viu foi uma explosão no preço dos vinhos, cada dia mais raros e caros. Com a alocação inicial da vinícola inteiramente esgotada, são vinhos difíceis de se achar, com preços na faixa de US$ 250 para a garrafa do Clos e acima de US$ 500 para o Le Bourg. Estes são preços para Europa e Estados Unidos, no Brasil corresponderia a cerca de três vezes estes valores, em dólares.
Por outro lado, quem não quiser ou puder gastar este tipo de valor, pode ainda provar alguns vinhos de produtores que representam o legado dos irmãos Foucault. Destaque para Romain Guiberteau, para os vinhos de Thierry Germaine, na Domaine de Roches Neuves, e, em especial, o projeto do filho de Charly, Antoine Foucault, chamado Domaine du Collier.
| Nome da Vinícola | Clos de Rougeard |
| Estabelecida | 1664 |
| Website | Não tem |
| Enólogo atual | Jacques Antoine Toublanc |
| Uvas | Cabernet Franc, Chenin |
| Área de Vinhedos | 10 ha |
| Região | Chacé (Maine-et-Loire) |
| Denominações | Saumur-Champigny, Saumur Blanc |
| País | França |
| Agricultura | Orgânico |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
Fontes: Louis Dressner (seu importador nos EUA); La Revue du Vin de France, The Rare Wines Co; Decanter