Conheça mais sobre os vinhos biodinâmicos

Last Updated on 30 de julho de 2020 by Wine Fun

O movimento biodinâmico tem crescido de forma acelerada e segue ganhando importância no mundo do vinho. Inicialmente restrito a pequenos produtores, sobretudo na França e Alemanha, vem conquistando adeptos em várias partes do mundo, inclusive com a conversão de vinhedos e mudança nas práticas de vinificação de grandes produtores.

Para o consumidor é relativamente simples identificar alguns dos produtores que seguem este conceito, até porque uma parcela deles optou (apesar dos elevados custos envolvidos) por certificação, ou seja, recebem o selo de uma certificadora, como a alemã Demeter ou a francesa Biodyvin.

Demeter

No caso da Demeter, existem duas classificações: uma para agricultura biodinâmica e outra, mais completa, classificando os vinhos como biodinâmicos. Para que uma vinícola ou um vinhedo possa ser certificado como biodinâmico pela Demeter, ela deve aderir ao regulamento da certificadora por um mínimo de três anos, caso partisse de agricultura convencional, ou um mínimo de um ano se cultivado organicamente. Toda a propriedade ou vinhedo deve ser certificada, não apenas uma porção.

Porém, ter a certificação de agricultura biodinâmica não necessariamente implica em ter os vinhos com a mesma classificação. Para tal, a vinícola deve seguir também o padrão de processamento de vinhos da Demeter. Como em todos os produtos biodinâmicos, a intenção das normas de processamento da certificadora é minimizar a manipulação das uvas.

Vinificação vs agricultura

Assim, a Demeter adota duas categorias de rotulagem: a categoria Vinho Biodinâmico® denota um vinho que segue os critérios definidos pela Demeter para vinificação, ou seja, no qual não foram realizadas adições, como leveduras artificiais, bactérias, enzimas, ajuste significativo de acidez ou de açúcar. O nível máximo de sulfitos totais é de até 70 mg/L para vinhos tintos secos e de 90 mg/L para brancos, rosés e espumantes.

Já a categoria Elaborado com uvas Biodinâmicas® (que é mais focada ao mercado norte-americano, onde ocorre a separação entre a agricultura e a vinificação também na certificação orgânica) significa que o vinho foi feito com uvas 100% biodinâmicas, mas permite a manipulação das uvas conforme definido pelas normas usadas para vinhos feitos com uvas orgânicas.

Biodyvin

No caso da Biodyvin, uma certificadora mais focada na viti-vinicultura, os requisitos incluem tanto práticas na agricultura como na vinificação. A aprovação para a certificação dos vinhedos vem após quatro anos de conversão para agricultura biodinâmica.

Já as regras para vinificação seguem o conceito de produzir vinhos feitos unicamente a partir de uvas da agricultura biodinâmica, excluindo o uso de todos os produtos enológicos que visam modificar o equilíbrio inicial das uvas e neutralizar o efeito das safras. Em relação ao nível de sulfitos, a recomendação é que não ultrapasse 90 mg/L para vinhos tintos e 105 mg/L para vinhos brancos e rosés.

Vinhos não certificados

É importante destacar que nem todos os vinhos produzidos usando técnicas biodinâmicas são certificados. Apesar da pressão das certificadoras (a Demeter em seu site usa a seguinte expressão: “notamos que algumas vinícolas sugerem que elas usam algumas práticas biodinâmicas mas, para usar um velho ditado, isso é um pouco como estar um pouco grávida”) a burocracia e os altos custos envolvidos acabam afastando muitos produtores, sobretudo os de menor porte.

A solução, portanto, é tentar conhecer melhor as propostas e práticas de cada produtor. Para quem não tem disposição ou tempo para isso, porém, a presença dos selos das certificadoras é uma excelente garantia de que o vinho em questão segue as normas da biodinâmica.

One Reply to “Conheça mais sobre os vinhos biodinâmicos”

  1. A legislação ainda é bastante confusa e pouco homogênea entre os diferentes países produtores. No mês passado, a França soltou uma regulamentação a respeito. A biodinâmica apresenta alguns conceitos sedutores e que parecem fazer sentido. Como parece fazer sentido que o corte do cabelo é influenciado pelo ciclo da lua.
    Mas meu lado pragmático sempre fala mais alto.Há lugares do mundo que favorecem mais o cultivo da vitis vinifera que outros. Por exemplo, a Alsácia e Roussillon além da baixa pluviometria, contam com ventos que protegem as vinhas das temidas doenças fúngicas. Não é a toa que essas regiões se destacam nesse campo, liderando a produção de vinhos orgânicos, biodinâmicos e naturais na França

    Anyway, eu gosto de um conceito usado pelos vignerons da Borgonha: “La lutte raisonée”, que nada mais é do que sempre que for possível usar conceitos naturais, orgânicos e biondinâmicos. Mas num lugar onde há geadas frequentes, como Chablis, que mal há em usar correntes elétricas nas vinhas para mitigar os efeitos negativos?

    E na medida que a biodinâmica avançar, comprovações científicas, baseadas em experimentos sérios, precisam corroborar as teses. Se não for assim podemos acabar caindo na mesma tentação dos que julgam a Cloroquina a solução do Covid.

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