Conheça o Vin de Paille, umas das especialidades do Jura

O Jura é uma das regiões vinícolas que mais tem chamado a atenção nos últimos anos. Situada no leste da França, entre a Borgonha e a fronteira com a Suíça, esta pequena região, além da qualidade de seus vinhos brancos e tintos, é também conhecida pelas suas especialidades locais. E dentre elas está o Vin de Paille.

Se o Vin Jaune é a especialidade do Jura no que diz respeito aos vinhos oxidativos, o Vin de Paille faz o mesmo papel, porém dentro do segmento de vinhos doces ou de sobremesa. Elaborado sob o controle de regras bastante estritas, é um vinho de pequena produção, correspondendo a menos de 1% do total de vinhos produzidos no Jura. Mas neste caso, qualidade e quantidade não andam de mãos dadas.

O que é Vin de Paille?

O Vin de Paille é um vinho feito a partir de uvas secas, de todas as principais variedades plantadas no Jura, à exceção da Pinot Noir. A sua composição varia bastante entre safras ou produtores, mas o mais comum é encontrar um corte com um terço de cada uma das variedades símbolo da região: Chardonnay, Savagnin e Poulsard. Porém, alguns produtores investem em monovarietais, sobretudo de Savagnin ou Chardonnay.

Em geral, são vinhos de dulçor médio a extremamente alto, porém balanceados com boa acidez. Devem mostrar uma graduação alcóolica mínima de 14% e passar por envelhecimento mínimo de três anos, dos quais ao menos 18 meses em madeira. O seu perfil pode variar bastante, desde a coloração até o seu dulçor, que varia entre 60g/l até 130 g/l. São vinhos que evoluem muito bem, até mesmo décadas, e que harmonizam muito bem com queijos e tortas de frutas. Porém, também são excelentes para consumo como um bom vinho de meditação.      

Como é processo de elaboração?

Se muitos vinhos doces têm elaboração a partir de uvas muito maduras e/ou com presença de botrytis, no caso do Vin de Paille ocorre quase o inverso. Uvas, geralmente de vinhas velhas, têm colheita manual no início da vindima, com a escolha somente dos cachos mais saudáveis e sem qualquer sinal de botrytis ou outros fungos. O mais comum é que esta colheita ocorra em paralelo ou pouco depois das uvas usadas para a elaboração dos Crémant de Jura.

Por conta desta colheita prematura, as uvas mostram um perfil de alta acidez, que reflete posteriormente nos vinhos. Após a colheita, as uvas são deixadas para secar por pelo menos seis semanas, as vezes até três a quatro meses. Neste processo, os cachos ficam suspensos em varais ou mantidos em caixas com palha. Embora menos usado hoje em dia (por conta da qualidade da palha ou dificuldades de apassitamento), este segundo processo deu origem ao nome do vinho, pois paille é palha em francês.

Neste período, as uvas encolhem, pois perdem até metade do seu volume e se tornam mais escuras. Em paralelo, o seu teor de açúcar sobe, para vinhos com potencial teor alcóolico entre 19% e 22%. Concluído o apassitamento, as uvas têm prensagem muito lenta, com 100 quilos de uvas resultando em cerca de 20 litros de sumo. A fermentação também é muito lenta, as vezes de até 18 meses, seguida por envelhecimento, geralmente, em pequenas barricas de carvalho.

Especialidade local e novas versões

Apesar de sua pequena produção, os Vin de Paille têm muita procura e fazem parte da tradição local do Jura. No entanto, alguns produtores apostam também na elaboração de vinhos usando o mesmo método, porém sem respeitar a regra de teor alcóolico mínimo de 14%. Por conta disso, estes vinhos não podem ser chamados de Vin de Paille e são engarrafados como Vin de France. Um dos produtores que partiu para este caminho foi a Domaine Tissot.

Porém, independente do teor alcóolico cumprir ou não as regras locais, certamente os Vin de Paille são uma experiência que não deve ser deixada de lado, sobretudo para quem deseja conhecer melhor o que o Jura tem a fornecer para quem gosta de bons vinhos.

Fonte: Jura Wine, Wink Lorch

Imagem:  Comité Interprofessionnel des Vins du Jura© Jérôme Genée

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