As manchetes recentes referentes ao mercado de vinho ao redor do mundo deixam clara uma tendência: existe um excesso de produção que não encontra contrapartida no consumo. Porém, uma análise mais detalhada mostra que esta questão não afeta da mesma forma todos os segmentos. Boa parte do problema se concentra nos vinhos tintos, que continuamente perdem consumidores e participação. Por outro lado, os vinhos brancos e rosados vivem um momento diferente.
Enquanto o consumo de vinho segue em queda, a demanda por vinhos brancos mostrou dois momentos distintos nas duas últimas décadas. O consumo manteve-se relativamente estável no período 2000-2009, voltando a crescer a um ritmo relativamente rápido a partir de 2010. O principal motivo, além de uma gradual mudança na preferência dos consumidores (com maior apelo para vinhos brancos e rosés), foi o crescente sucesso global dos espumantes.
Maiores consumidores
De forma geral, os maiores países consumidores de vinho branco são países também com alto volume de produção, porém com algumas exceções. Os Estados Unidos lideravam em 2021, com consumo de 18,3 milhões de hectolitros, um impressionante crescimento de 65% frente a 2000. Isso representou um pequeno ganho de participação em relação aos vinhos tintos, que viram seu consumo crescer 55% no mesmo período.
Já no caso da Itália, segundo maior consumidor, houve pequeno crescimento no conusmo de vinhos brancos no mesmo período, para 14,7 milhões de hectolitros. O desempenho, porém, foi significativamente melhor que os tintos, que perderam cerca de 30% do seu volume consumido desde 2000. Fecharam o top ten Alemanha (8,4 milhões de hectolitros), França (6,6 mhl), Reino Unido (6,5 mhl), Rússia (4,2 mhl), Espanha (4,2 mhl), Austrália (3 mhl), Romênia (2,4 mhl) e Argentina (2,2 mhl).
Três casos merecem destaque especial. Na França, o consumo de vinhos brancos caiu 20% entre 2000 e 2021, bem menos que a queda de 49% nos tintos. Já a Rússia foi o país com maior crescimento no consumo de vinhos brancos neste período (+145%), enquanto a Argentina viu o interesse nestes vinhos cair mais do que pela metade em apenas 21 anos. Com isso, a fatia dos vinhos brancos no consumo total argentino caiu de 46% para 26%.

Preferência por vinhos brancos
Se os argentinos viram o interesse por vinhos brancos despencar e perder participação, alguns países evidenciaram o inverso. Nestes casos, os vinhos brancos respondem por uma elevada proporção do consumo total de vinhos. Ao contrário do que poderia se esperar, porém, estas proporções parecem não refletir, necessariamente, as condições climáticas. A Hungria, por exemplo, aparece como o país com maior consumo relativo de vinhos brancos, que respondem por 82% do total.
A seguir, vieram Geórgia (72%), Grécia (69%), Áustria (68%), Nova Zelândia (67%), Romênia (60%), Itália (59%), Estados Unidos (55%), Austrália (55%) e África do Sul (50%). Na contramão, novamente chama a atenção o caso da França. No país que detém a reputação de elaborar os melhores espumantes e muitos dos melhores vinhos brancos do mundo, o padrão de consumo chama a atenção. Quem lidera são os tintos (39%), seguidos pelos rosés (33%), deixando aos vinhos brancos a menor parcela de consumo (28%).
