Consumo de vinhos tintos: Novo Mundo lidera e Brasil é um dos destaques

Uma das tendências mais claras do mundo do vinho é a gradual perda de espaço dos vinhos tintos. Por conta da forte queda da produção de tintos em países europeus, sobretudo a França, hoje a produção de vinhos brancos supera a de tintos em escala mundial. Mas qual é o quadro quando se olha para o consumo? Será que a mesma tendência aparece, com os vinhos brancos atingindo o alto do pódio na taça dos apreciadores?

A resposta traz um sim e um não. Desde que atingiu seu pico em 2007, o consumo de vinho tinto ao redor do mundo caiu 15%, em menos de quinze anos. Por outro lado, os vinhos brancos viram seu consumo crescer 10% em relação ao seu nível mais baixo, visto em 2000. Porém, ao contrário da produção, o consumo de vinho branco ainda é menor que o de tintos. Isso ocorre porque a maior parte do vinho destinado a usos industriais (destilação, produção de vinagre, bebidas à base de vinho, etc.) é branco. Esta mudança de liderança, todavia, pode ser apenas questão de tempo.

Diferenças regionais

Entre os grandes produtores de vinho tinto, há diferenças significativas nos padrões de consumo. Por exemplo, a China e os Estados Unidos testemunharam um aumento significativo no seu consumo de vinhos tintos. Entre o início da década de 2000 e os últimos dados disponíveis, a China viu seu consumo crescer 51%, seguido por Estados Unidos (+41%), Rússia (+6,8%) e Brasil (+6,5%). Por outro lado, como também pode ser visto no gráfico abaixo, França, Alemanha, Espanha e Itália registaram um consistente declínio. Vale lembrar que as estatísticas, coletadas pela OIV, incluem 27 países, responsáveis por 93% da produção e 76% do consumo mundial de vinhos em 2021.

Variação no consumo: Média 2017-2021 vs 2000-2004. Fonte: OIV

Por conta destas tendências divergentes, o ranking de consumo de vinhos tintos em termos absolutos mudou. Os Estados Unidos lideravam em 2021, com 11,5 milhões de hectolitros, seguidos por China (9,8 mhl), Alemanha (9,6 mhl), França (9,1 mhl) e Itália (9,0 mhl). O top ten contava também com Rússia (5,9 mhl), Argentina (5,8 mhl), Espanha (5,6 mhl), Reino Unido (5,4 mhl), Brasil (2,9 mhl) e Portugal (2,7 mhl). Esta é única estatística absoluta de vinho onde o Brasil figura entre os dez maiores.

Preferência por tintos

O grande destaque dos países do Novo Mundo neste ranking reflete o padrão de consumo de vinhos, com clara preferência dos consumidores de muitos destes países por tintos. Com exceção de Portugal (59%) e Suíça (56%), todos os outros países com maior parcela de tintos no consumo total de vinho estão fora da Europa. China, Chile e Brasil são os países onde o consumo de vinho tinto responde pela maior parcela do consumo total, com participações de 92%, 81% e 71%, respectivamente. A lista dos dez maiores é completada por Argentina (70%), Japão (67%), Uruguai (59%), Canadá (57%) e Rússia (56%).

Parcela dos vinhos tintos no consumo em 2021. Fonte: OIV

Fonte: Organização Internacional da Vinha e do Vinho

Imagem: Vinotecarium via Pixabay

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