Didier Dagueneau: a excelência da Sauvignon Blanc

Last Updated on 13 de novembro de 2023 by Wine Fun

Ao estabelecer sua vinícola em 1982, Didier Dagueneau começou a modificar a percepção dos vinhos de sua região natal, Pouilly-Fumé. Se muitos dos Sauvignon Blanc da área podiam ser descritos como simples, muito frescos e com predominância de aromas herbáceos, sua proposta foi radical. Nada menos do que elevar esta variedade a um novo patamar, explorando melhor o terroir da região e refinando os métodos de elaboração.

Começando com cuidados muito mais intensivos nos vinhedos, Dagueneau optou por vinificar individualmente parcelas de vinhedos, buscando explorar melhor o terroir local. A produtividade em seus vinhedos fica entre 50% e 75% dos padrões da região, resultando em uvas de melhor qualidade.

Também na vinificação resolver inovar. Além de trabalhar com leveduras indígenas, passou a usar de forma mais intensa o carvalho no envelhecimento, trazendo mais nuances aos seus vinhos. E o resultado acabou sendo a elaboração de alguns dos mais expressivos Sauvignon Blanc do mundo.

Um pouco de história

Didier Dagueneau fez parte da quarta geração de vinhateiros da família, no vilarejo de St Andelain, em Pouilly-Fumé. Porém, ao invés de assumir as rédeas da vinícola familiar, decidiu optar por se tornar motociclista profissional, correndo o circuito internacional de side cars entre 1978 e 1982.

Foi somente no ano que Paolo Rossi acabou com as esperanças brasileiras na Copa do Mundo que ele retornou à sua terra natal e entrou de vez no mundo do vinho. Sua decisão, porém, novamente não foi a mais convencional. Optou por adquirir 1,2 hectare de En Chailloux e criar seu projeto pessoal, ao invés de seguir na propriedade da família. E isso foi somente o começo.

Em 1985 ele lançou seu grande ícone, Silex, seguido pelo Pur Sang em 1988. A partir de 2000 decidiu atuar também fora de Pouilly-Fumé, adquirindo uma parcela no vinhedo Monts Damnés na vizinha região de Sancerre em 2000. A seguir, expandiu para mais além, passando a produzir também no Jurançon em 2002. Infelizmente foi nesta região que Didier perdeu a vida em 2008, aos 52 anos, em um acidente com um pequeno avião. Desde então, sua função de vinhateiro foi assumida por seu filho, Louis-Benjamin Dagueneau.

Agricultura e vinhedos

A qualidade de seus vinhos reflete também o tratamento privilegiado dado aos vinhedos. Os 11,5 hectares da propriedade no Loire são meticulosamente cuidados pelo equivalente a uma pessoa por hectare, uma proporção encontrada somente nas melhores propriedades da Borgonha.

Os solos são trabalhados manualmente, com uso de cavalos e arados, para encorajar as raízes a buscar as maiores profundidades. E a seleção das vinhas é criteriosa. Quando alguma videira precisa ser replantada, são usadas apenas as melhores plantas de seleção massal. Os vinhedos são cultivados de acordo com os princípios da agricultura biodinâmica desde 1993.

Vinificação

O perfil inovador de Didier também está presente na vinificação. Desde o início de sua trajetória, sempre buscou experimentar novas técnicas para obter o melhor vinho possível. Passou por agricultura orgânica, vinificação sem adição de sulfitos e muitos experimentos com diferentes formatos para o envelhecimento de seus vinhos (incluindo curiosos barris no formato de charutos!).

Depois de tantas experiências, chegou a definição de práticas usadas até hoje. Os vinhos são mantidos em barris de carvalho durante seu primeiro ano, e depois são transferidos para recipientes distintos por cinco a sete meses antes do engarrafamento.

Vinhos

Dagueneau possivelmente elabora alguns dos Sauvignon Blanc com maior potencial de evolução do mundo, com alguns cuvées atingindo seu ápice somente dez anos após sua safra. De Pouilly-Fumé produz atualmente seis cuvées distintos, todos elaborados com Sauvignon Blanc.

O vinho de entrada é o Blanc Fumé de Pouilly (anteriormente chamado En Chailloux), com seu rótulo trazendo uma partitura de música, elaborado a partir de uvas de diversos vinhedos. Já os cuvées Buisson-Renard e Pur Sang são de vinhedos específicos, enquanto o Silex é elaborado a partir de diversas parcelas com alta concentração de sílex no solo. A linha é completada pelos raros micro-cuvées Asteroïde e Clos du Calvaire.

A partir da parcela em Les Mont Damnées, produz um Sancerre de mesmo nome, enquanto a produção do Jurançon foca em dois cuvées distintos, um seco e um moelleux, ambos denominados Les Jardins de Babylone e elaborados a partir da variedade Petit Manseng.

Nome da VinícolaDomaine Didier Dagueneau
Estabelecida1982
Website Não tem
EnólogoLouis-Benjamin Dagueneau
UvasSauvignon Blanc, Petit Manseng
Área de Vinhedos11,5 ha
RegiãoSaint-Andelain (Bourgogne-Franche-Comté)
DenominaçõesPouilly-Fumé, Sancerre, Jurançon
PaísFrança
AgriculturaBiodinâmica
VinificaçãoBaixa Intervenção

Fontes: Polaner Selections (seu importador nos EUA); Green Man Wines; La Revue du Vin de France

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