Dois Melon de Bourgogne de alta gama

Dois entre meus produtores favoritos da área de Muscadet Sèvre et Maine. De um lado, o inconfundível bigode de Jo Landron, de outro a barba cerrada e cabelos encaracolados de Marc Ollivier, hoje aposentado, mas fundador e proprietário da Domaine de la Pépiere. Quanto aos vinhos, ambos da safra 2019, um Cru Communaux de solos graníticos (Château-Thébaud) e um Melon de Bourgone engarrafado como Vin de France (Melonix), por conta de um sutil, mas fundamental detalhe no seu processo de vinificação. O que esperar desta brincadeira?

Château-Thébaud 2019, Domaine de la Pépière 12,2%    

Um Cru Communaux da área de Château-Thébaud, contou com uvas de agricultura orgânica cultivadas em solos de granito. Na vinificação, após colheita manual, uso de prensa pneumática e fermentação natural de cerca de um mês. O vinho passou 30 meses (o mínimo permitido pelo regulamento em Château-Thébaud é de 24 meses) com suas lias, com uso constante de bâtonnage.

Um Melon de Bourgogne direto e vertical, porém sem abrir de uma estrutura de boca rica e equilibrada, com textura presente. No visual, mostrou coloração amarelo palha com reflexos verdeais, trazendo um olfativo complexo, com aromas cítricos (lima da Pérsia), frutas brancas (maçã), concha de ostras e leve brioche. No palato, alta acidez, corpo médio com frutas brancas, notas salinas e discreto toque de amêndoas no final de boca.

Melonix 2019, Domaine Landron 13%

Este Melon de Bourgogne foi engarrafado como Vin de France, pois não teve autorização para fazer parte da denominação de origem Muscadet de Sèvre et Maine. Segundo o órgão regulador, o vinho é atípico, principalmente porque passou por conversão malolática. E isso fez uma enorme diferença. Usou uvas de vinhas velhas (30 a 40 anos) proveniente de vinhedos de solos argilo-arenosos. Após colheita manual e uso de prensa pneumática, sem débourbage, a fermentação foi natural (duas a três semanas) em tanques de cimento vitrificado. O vinho passou 10 meses com suas lias.

Um perfil bastante diferente do anterior, com menos verticalidade e tensão, porém muito mais densidade e textura. Coloração amarelo brilhante, com olfativo trazendo maçã seca, pera, fruta amarela, flores brancas, manteiga e brioche. Já o palato mostrou boa acidez, discreto residual e estrutura mais robusta com lias bem presentes, ao lado de notas de fruta de caroço e salinidade. Um vinho realmente distinto da imensa maioria daqueles desta variedade. As notas secundárias ganharam maior espaço, contribuindo para um conjunto de menos tensão, maior peso de boca e intensidade aromática.

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