Dois vinhos da Domaine Coche-Dury

Degustar os vinhos brancos da Domaine Coche-Dury é sempre um prazer, tanto pelo alto padrão de qualidade como por conta de sua escassez. Com uma produção total que não chega a 50 mil garrafas ao ano, são vinhos raros de encontrar, mesmo na França. Embora a vinícola não divulgue a produção por cuvée, estimativas indicam que cerca de 50% da produção corresponde a seus Meursault Village Blancs, por conta dos mais de quatro hectares de vinhedos disponíveis nesta denominação de origem. E o que dizer do privilégio de apreciar dois vinhos desta vinícola icônica em uma mesma noite? Somente na Borgonha ou gastando uma verdadeira fortuna isso é possível. Obviamente, optei pela primeira.

O Meursault 2015 teve origem em diversas parcelas distribuídas ao redor de Meursault, com uvas de cultivo sustentável. Na vinificação, fermentação em barricas com uso exclusivo de leveduras indígenas e estágio de 18 meses em barricas, das quais 30% novas. Já o Aligoté 2022 contou com vinhas velhas e vinificação bastante similar, embora com tempo menor em carvalho (10 a 15 meses dependendo da safra e sem barricas novas), com uso menos intenso de batônnage.

Degustando

Começando com o Meursault, um vinho que representou muito bem o estilo da vinícola, ainda mais em uma safra muito bem avaliada como 2015. Complexo e preciso, com muita estrutura, para mim o único “porém” foi uma presença ainda destacada de notas de carvalho. Olfativo rico e em estilo redutivo, com aromas de pólvora, pêssego branco, manteiga, brioche e madeira. Já no palato, mostrou alta acidez e corpo médio, um Chardonnay redondo, voluptuoso, untuoso e muito profundo. Com notas de pêssego e cítrico, encheu a boca, muito preciso e de final longo. Imensa vivacidade para um Village de 10 anos de idade.

Já o Aligoté, como se poderia esperar, se mostrou mais elétrico e vertical, mesmo em uma safra quente e seca como 2022. Olfativo também em estilo redutivo, com pedra de isqueiro, frutas brancas e discreta nota defumada. Na boca, um vinho de muita precisão e equilíbrio, com acidez cortante, corpo médio e menos estrutura, porém também mostrando múltiplas camadas e final muito longo. A conclusão? Dois vinhos de alta gama, porém com personalidades próprias.  

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