Um curto histórico produzindo vinhos próprios no Jura, mas com longa experiência prévia com George Laval na Champagne. O resultado? Alguns dos mais interessantes vinhos de novos produtores do Jura que provei recentemente. Bruno Bieniamé lançou sua primeira safra em 2017 e atualmente trabalha com cerca de 3,2 hectares de vinhedos em Arlay e em torno de Château Chalon, com foco em Chardonnay, Savagnin, Trousseau e Pinot Noir.
Le Savagnin 2022, Bruno Bieniamé 13%
As uvas provêm de dois lieux-dits : Champ Levot (em Arlay) com orientação sudeste e Aux Vignes de Cour (Ruffey-sur-Seille) e com exposição nordeste, ambas em transição para agricultura orgânica. Após colheita manual, prensagem em prensa de cesto de madeira (que garante menor extração) e fermentação natural em barricas de carvalho, onde o vinho ficou 15 meses. Daqueles vinhos que realmente chamam a atenção, harmonioso, combinando tensão e profundidade. Visual de coloração amarelo palha, com olfativo intenso e envolvente. Destaque para aromas cítricos (tangerina e limão), acompanhados por notas de pólvora e brioche. Palato de alta acidez, com corpo médio e textura fina, com notas presentes de frutas amarelas. Muito equilibrado, um Savagnin intenso, denso e muito mineral, simplesmente espetacular. Chega ao Brasil pela Uva Vinhos, mas já esgotou. Na Europa é um vinho raro que já precifica sua qualidade, próximo de € 100.
Le Trousseau 2022, Bruno Bieniamé 12,7%
As uvas tiveram origem em duas parcelas: Aux Chauffaux e Aux Vignes de Cour. Após colheita manual, maceração de três semanas e fermentação com leveduras indígenas, com estágio de dois anos em barricas usadas. Um Trousseau intenso e estruturado, com muita qualidade de fruta e que deve evoluir muito bem nos próximos anos. Coloração rubi de baixa a média concentração, com o olfativo marcado por aromas florais e de frutas vermelhas, além de notas verdes que me sugerem o uso de cachos inteiros. Na boca, trouxe boa acidez, taninos granulosos e corpo médio, com textura firme, fruta explosiva e algo de ervas verdes. Não tão prazeroso como o Savagnin, mas um belo vinho. Também já esgotado no Brasil, preço na faixa de € 55 na Europa.