Um vinhateiro que não tem receio de mudanças. Esta é uma forma de descrever Bertrand Sourdais, que entre outros projetos, é proprietário e enólogo da Domaine de Pallus. Após ter estudado enologia em Bordeaux, ganhou fama em 2002 por seu trabalho na Dominio de Atauta, cujo Llanos del Almendro foi considerado como um dos melhores vinhos daquela safra não somente na Ribera del Duero, mas em toda a Espanha.
Retornou à sua Chinon natal em 2003 e, a partir de 2005, assumiu o controle da vinícola familiar, após a aposentadoria de seu pai. Gradualmente transformou a Domaine de Pallus, passando a adotar agricultura biodinâmica e técnicas de mínima intervenção. Em paralelo, passou a elaborar os vinhos com um senso mais estrito de terroir, com cuvées distintos representando diversas parcelas de vinhedos.
Um pouco de história
A história da Domaine de Pallus começou em 1882, quando Joseph Moron, tataravô de Bertrand, arrendou a propriedade onde hoje estão vinhedo e vinícola. Em 1889 a propriedade foi comprada, mas com o falecimento de Joseph em 1919, foi arrendada para terceiros. A família retomou a posse em 1950, mas foi somente em 1969 que o primeiro vinho foi engarrafado com a marca atual.
Foi, porém, com a chegada de Bertrand que as maiores transformações ocorreram, com destaque para a conversão dos vinhedos para agricultura orgânica e biodinâmica. Outro passo importante foi a decisão de, a partir de 2013, elaborar cuvées distintos a partir de parcelas com terroir diferenciado. Isso levou ao lançamento de dois dos mais conceituados vinhos da domaine, La Rougerie e La Croix Boissée, que tiveram sua primeira safra em 2015.
Agricultura e vinhedos
Desde que retornou a Chinon, Bertrand buscou intensificar o cuidado com os vinhedos. A partir de 2010, todas as parcelas passaram a ser cultivadas de acordo com princípios biodinâmicos, mas sem certificação. Em paralelo, decidiu plantar novas vinhas usando seleção massal e reduzir o rendimento dos vinhedos, para cerca de 30 hectolitros por hectare.
Atualmente a vinícola cultiva 18 hectares de vinhedos próprios, focada em apenas duas variedades: Cabernet Franc e Chenin Blanc. Cerca de 12 deles são em encostas, com solos de maior presença de calcário. Isso os colocam dentre os melhores vinhedos dentro da denominação Chinon, quase que inteiramente caracterizados por vinhedos planos. Dentre as principais parcelas, destaque para La Croix Boissée e La Rougerie, que dão origem a dois cuvées distintos. Os demais 6 hectares correspondem à parcela de Clos de Briançon, em solos planos de areia e cascalho.
Vinificação e vinhos
Na vinificação, Bertrand também alterou os processos. Passou a usar leveduras indígenas na fermentação e empregar maceração prolongada de até trinta dias, considerada longa para o padrão dos Cabernet Franc do Loire. O envelhecimento também é mais longo, variando entre 12 e 18 meses em barris de carvalho para os tintos, dependendo do cuvée (à exceção do Messanges, que passa apenas seis meses)
A Domaine de Pallus atualmente elabora cinco cuvées distintos, quatro tintos monovarietais de Cabernet Franc e um branco, 100% Chenin Blanc. Dos vinhedos em Cravant les Coteaux são elaborados os tintos Les Pensées de Pallus (o primeiro vinho elaborado por Bertrand em sua propriedade familiar, produzido a partir de 2004), La Rougerie (a partir de uma parcela de solo puramente calcário) e La Croix Boissée, além do branco Le Coq de Pallus. A partir do vinhedo Clos de Briançon é elaborado o Messanges Rouge.
| Nome da Vinícola | Domaine de Pallus |
| Estabelecida | 1950 |
| Website | https://www.bertrandsourdais.com/en/domaine-de-pallus/ |
| Enólogo | Bertrand Sourdais |
| Uvas | Cabernet Franc, Chenin Blanc |
| Área de Vinhedos | 18 ha |
| Região | Cravant-les-Côteaux (Indre-et-Loire) |
| Denominação | Chinon |
| País | França |
| Agricultura | Biodinâmica |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
Fontes: Website da vinícola; Polaner Selections (seu importador nos EUA)