Antes que Jean-Marie Fourrier assumisse, aos 24 anos, o controle da vinícola em 1994, talvez a principal manchete obtida pela Domaine Fourrier tenha sido por um motivo bizarro. Em 1986, Jean-Claude Fourrier, pai de Jean-Marie e então no comando da vinícola, simplesmente expulsou Robert Parker da propriedade. A reação intempestiva teria ocorrido após o famoso crítico norte-americano ter dito a Jean-Marie que “ele deveria investir e usar 100% de barricas novas”. Fourrier, em contrapartida, teria afirmado que “meu trabalho é fazer vinho, seu trabalho é prová-lo, não me dizer como fazê-lo.”
Talvez por conta do episódio, Parker escreveu que a Domaine Fourrier, apesar de ter acesso a grandes vinhedos, tinha a adega mais úmida e suja da Borgonha, que os rendimentos eram muito altos e que os vinhos não valiam a pena. O choque de reputação foi grande e as exportações para os Estados Unidos despencaram. Porém, felizmente, tudo mudou após 1994.
Um pouco de história
A história moderna do que é hoje Domaine Fourrier começou na década de 1930 com Fernand Pernot, que não tinha herdeiros diretos e cuja irmã se casou com um Fourrier. Pernot elaborou vinhos com seu próprio rótulo e, posteriormente, trabalhou ao lado de seu sobrinho, Jean-Claude Fourrier (sim, o desafeto de Parker).
Este último assumiu a vinificação em 1969, mudando o nome do domínio para Pernot-Fourrier, e então, após a morte de Pernot em 1982, para Jean-Claude Fourrier. Desde 1992, a propriedade assumiu o nome de Domaine Fourrier, abrindo caminho para o Jean-Marie, que já trabalhava na vinícola com seu pai.
Após o “Parker affair”, não é surpreendente que o começo de Jean-Marie tenha sido difícil. Nesta época já tendo treinamento formal em enologia em Beaune e com experiências com o mestre Henry Jayer (na safra 1988) e um período de trabalho na Domaine Drouhin no Oregon, coube a ele reconstruir a reputação da vinícola. E foi o que vem fazendo desde então, colocando a Fourrier entre os nomes mais respeitados na sua denominação.
Agricultura e vinhedos
A Domaine Fourrier cultiva cerca de 10 hectares de vinhedos, muitos deles de vinhas velhas, em algumas das mais prestigiosas denominações da Borgonha. Entre os destaques, uma parcela de 0,26 hectare no Grand Cru Griotte Chambertin, além de diversas parcelas Premier Cru em Gevrey-Chambertin (como Clos St Jacques – vinhas plantadas entre 1902 and 1910, Combe aux Moines, Les Champeaux, Les Goulots e Les Cherbaudes) e em Chambolle-Musigny (Les Gruenchers e Les Sentiers). Possui áreas também em Morey-St-Denis e Vougeot.
Em termos de agricultura, os vinhedos são cultivados de acordo com os princípios da agricultura sustentável. Não são usados fertilizantes químicos sintéticos e tratamentos para combater fungos e insetos são aplicados somente quando absolutamente necessário. Durante a safra, já há uma seleção rigorosa das uvas nos vinhedos, e apenas frutos de videiras com mais de 30 anos são retidos pela vinícola para seus vinhos de mais alta gama.
Vinificação e vinhos
Após colheita manual, as uvas são inteiramente desengaçadas, porém com cuidados especiais para romper ao mínimo as cascas. As fermentações são frias e lentas com uso exclusivo de leveduras indígenas em tanques de aço inoxidável, com pigéage regular. Os vinhos não passam por trasfega durante seu envelhecimento, que geralmente dura entre 16 e 20 meses. Fourrier procura usar um máximo de 20% de barricas novas e os vinhos não recebem filtração ou colagem antes do engarrafamento.
Além da linha de vinhos produzidos a partir de vinhedos próprios (cerca de 15 cuvées distintos) Fourrier trabalha também como négociant, adquirindo uvas de terceiros. Para evitar conflito com os vinhos de uvas próprias, compra apenas de denominações distintas daquelas das quais possui vinhedos. Alguns exemplos são Clos de Vougeot, Latricières-Chambertin, Mazoyères-Chambertin, Clos de Bèze e Chambertin.
| Nome da Vinícola | Domaine Fourrier |
| Estabelecida | Década de 1930 |
| Website | Não tem |
| Enólogo | Jean-Marie Fourrier |
| Uvas | Pinot Noir, Chardonnay |
| Área de Vinhedos | 9 ha |
| Região | Gevrey-Chambertin (Bourgogne-Franche-Comté) |
| Denominações | Griotte-Chambertin, Gevrey-Chambertin, Chambolle-Musigny, Morey-St-Denis, Vougeot |
| País | França |
| Agricultura | Sustentável |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
Fontes: Rosenthal/Mad Rose (seu importador nos EUA); Burgundy Report; Pearl of Burgundy; Tim Atkin; Clarets (seu importador no Brasil)
Imagem: Zachys Wine Auctions