Etna Spumante: conheça os vinhos que ganham mais espaço no maior vulcão ativo da Europa

Mais conhecida por seus vinhos tintos, a Itália tem uma impressionante história de sucesso quando se fala de espumantes. Foram quase um bilhão de garrafas produzidas em 2022, impulsionadas pelo assombroso volume do Prosecco. Porém, os fãs de espumantes elaborados a partir do método clássico também não tem o que reclamar. Além dos já consolidados vinhos da Trento DOC e do crescente destaque para Alta Langhe, outra região começa a chamar a atenção por seus espumantes: o Etna.

Elaborados pela primeira vez na região há mais de 150 anos, os espumantes registam um forte crescimento nas últimas décadas no Etna, colocando lado a lado o método usado na Champagne com uvas típicas desta região siciliana. Existem opções brancas e rosés, ambas regulamentadas desde 2011 dentro da denominação de origem Etna. Isso garante um nível de qualidade crescente e, portanto, são espumantes que merecem maior atenção.

Breve histórico

Embora o rápido crescimento na produção de espumantes no Etna seja um fenômeno recente, as primeiras iniciativas datam do século XIX. Na década de 1860 o Barão Spitaleri di Muglia elaborou os primeiros espumantes na região no Castello Solicchiata, na face sudoeste do Etna. Usando o método clássico e Pinot Noir como uva base, o projeto alcançou sucesso internacional na década de 1870, até ser descontinuado.

Os esforços seguintes vieram mais de 100 anos depois, nas mãos de Michele Scammacca, da vinícola Murgo. Usando a Nerello Mascalese como uva principal, seus primeiros espumantes vieram a mercado na safra de 1989, abrindo um novo horizonte para a vinicultura do Etna. Com a regulamentação da produção de espumantes dentro da denominação de origem Etna DOC a partir de 2011, muitos outros produtores passaram a trilhar o mesmo caminho.

Regras de produção

A partir de 2011, a Etna DOC passou a considerar duas tipologias diferentes para espumantes: Etna Spumante e Etna Spumante Rosato. Pelas regras do conselho da denominação de origem, os espumantes devem conter um mínimo de 60% de Nerello Mascalese. O restante (embora muitos sejam elaborados como monovarietais) deve vir de outras uvas presentes no Etna. Entre elas, destaque para Carricante, Catarratto, Chardonnay, Grecanico Dorato e Pinot Noir.

A elaboração dos vinhos deve seguir o método clássico, com período de contato com as lias em garrafas mínimo de 18 meses. Os produtores que não seguirem a proporção de uvas ou regras de produção, todavia, podem engarrafar seus espumantes como Sicilia Spumante DOC, Terre Siciliane IGT ou mesmo como Vino Frizzante.

Crescimento explosivo

De todos os tipos de vinho produzidos como parte da denominação de origem Etna, os espumantes foram aqueles que mostraram crescimento mais rápido nos últimos anos. Em 2012 respondiam por apenas 0,5% da produção total, com cerca de sete mil garrafas produzidas. Dez anos depois, o volume atingiu um patamar vinte vezes maior, com um significativo ganho de participação de mercado.

Em 2022 Etna Spumante era a quarta tipologia mais produzida no Etna, com quase 2% do total e mais de 100 mil garrafas produzidas. Neste patamar, esta tipologia superou a produção dos Etna Biano Superiore, uma das pérolas entre os vinhos do maior vulcão ativo da Europa. Etna Rosato Spumante, por sua vez, respondia por 0,8% da produção total, com quase 50 mil garrafas.

Estilo

Um dos grandes diferenciais dos espumantes do Etna é seu perfil de acidez. Para tal, contribuem as características do terroir local, com destaque para a altitude, que garante uvas com altos níveis de acidez, sem perder outras características fenólicas. A grande maioria dos vinhos tem elaboração nos estilos entre Brut e Extra-Dry, garantindo vinhos finos, secos e elegantes.

Por conta das inerentes dificuldades na produção de espumantes pelo método tradicional, ainda são relativamente poucos produtores que se dedicam aos espumantes no Etna. Entre eles, vale a pena conhecer o trabalho de vinícolas como Benanti, Murgo, Cantine Russo, Nicosia, Palmento Costanzo, Cottanera e Firriato.

Fontes: Consorzio Etna DOC; Etna: I Vini del Vulcano, Salvo Foti; The New Wines of Mount Etna: An Insider’s Guide to the History and Rebirth of a Wine Region, Benjamin Spencer; Entrevistas com diversos produtores; Focusicilia; Disciplinare di Produzione dei Vini a Denominazione di Origine Controllata Etna

Imagem: Wilfried Pohnke via Pixabay

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *