Falar em vinho natural ou agricultura biodinâmica na França e não mencionar Nicolas Joly é quase um sacrilégio. O vinho tomou papel central em sua vida após 1977, quando deixou de lado uma carreira de investment banker (trabalhava no J.P. Morgan em Nova York). Foi quando voltou para sua França natal, para tocar a vinícola da família, o Château de la Roche aux Moines, no Loire. E rapidamente notou que algo tinha que mudar, com ênfase em vinhedos mais saudáveis e práticas menos intervencionistas na vinificação.
Dos três vinhos produzidos atualmente, Les Vieux Clos pode ser considerado como o vinho de entrada. Foi elaborado a partir de parcelas de cerca de 5,5 hectares de vinhedos plantados na década de 1990 e cultivados e certificados orgânicos e biodinâmicos. Mais do que isso, são vinhedos de baixo rendimento. São cerca de 30 hectolitros por hectare, contra o máximo de 50 hl/ha permitido na denominação de origem Savennières.
Após colheita manual e tardia (é comum a inclusão de uvas já botritizadas), as uvas de Chenin Blanc não passaram por débourgage e fermentação com uso exclusivo de leveduras indígenas, sem controle de temperatura. O vinho passou por estágio de seis meses em barris antigos, com pequena adição de sulfitos e leve filtração antes do engarrafamento.
Degustando
Os vinhos de Nicolas Joly têm um estilo inconfundível e este Les Vieux Clos foi muito representativo. Potência e untuosidade, porém balanceadas por alta acidez. No visual, mostrou coloração amarelo intenso, com o olfativo rico e marcante, com presença de aromas de frutas tropicais (manga), flores amarelas, ervas secas e mel, além de leve nota oxidativa e de maresia.
Na boca, um Savenniéres de boa acidez, mas que chamou a atenção pela estrutura e untuosidade. Um Chenin Blanc mais gordo e encorpado, com notas de fruta madura e leve tostado dominando o palato. Conseguiu se mostrar como um vinho seco e de retrogosto salino, embora com presença de notas doces, um peculiar equilíbrio que combinou tensão, muita textura e longa persistência. Os vinhos de Nicolas Joly chegam ao Brasil pela Clarets e uma safra mais recente desta cuvée estava disponível no mercado brasileiro na faixa de R$ 580 em agosto de 2023.
| Nome do Vinho | Les Vieux Clos |
| Safra | 2008 |
| Produtor | Nicolas Joly |
| Enólogos | Nicolas Joly, Virginie Joly |
| Uva | Chenin Blanc |
| Solo | Xisto |
| Graduação Alcoólica | 15% |
| Sede da Vinícola | Savennières (Pays de la Loire) |
| Denominação | Savennières AOC |
| País | França |
| Agricultura | Biodinâmica |
| Vinificação | Natural |
| Importador no Brasil | Clarets |