Last Updated on 12 de junho de 2025 by Wine Fun
A Domaine J.A. Ferret é um dos grandes nomes do Macônnais, com uma tradição que supera 180 anos. Com cerca de 18 hectares de vinhedos espalhados por 60 parcelas, foi pioneira na região em classificar seus vinhos por qualidade, em uma pirâmide que inclui três níveis, incluindo Tête de Cru (equivalente para a vinícola a um Premier Cru) e Hors Classé (Grand Cru). Foi um prazer provar boa parte da linha (todos elaborados a partir da Chardonnay), na companhia de Clément Robinet, que administra a domaine desde 2023.
Autour de la Roche 2023, 12,5%
Anteriormente chamado de Sous Vergisson, utiliza uvas provenientes de parcelas localizadas em Vergisson, com cultivo orgânico certificado. Curiosamente, há 40 anos estes vinhedos eram considerados inferiores, por conta de um perfil de menor maturação. Hoje, em função do aquecimento global, isso mudou completamente. Vinificação inteiramente em inox, com uso exclusivo de leveduras indígenas, nesta safra com maloláctica parcial. Elétrico e vertical, com olfativo marcado por aromas de frutas brancas (pera) e flores brancas. Palato de alta acidez, corpo médio e muito frescor e verticalidade, com notas málicas e minerais.
Pouilly-Fuissé 2023, 13%
Esta é a cuvée de maior produção da J.A. Ferret, respondendo por cerca de 70% da produção. Utiliza uvas de cerca de 50 parcelas diferentes (incluindo alguns Premier Cru), todas na área da denominação de origem Pouilly-Fuissé. Muita complementariedade entre as parcelas, com tipos de solos diferentes aportando características específicas. Cerca de 50% das uvas provêm de solos argilo-calcários, trazendo salinidade e frescor; com 30% de parcelas com mais argila (peso e estrutura). Por fim, os demais 20% têm origem em solos de granito, xisto e arenito, aportando aromas florais e cítricos.
As parcelas com origem em solos calcários e argilosos têm fermentação natural em barricas (25% novas), com estágio de 10 meses, seguido por mais oito a nove meses em cubas de inox, sempre com suas lias. Já para as parcelas em solos de granito, xisto e arenito, 100% em inox. Nariz marcado por aromas de tangerina e maçã, com um palato mais rico e redondo. Com alta acidez, muita tensão e mais corpo, as lias se fazem mais presentes que a madeira, com notas salinas e de avelãs.
Tête de Cru Clos de Jeanne 2023, 13%
O vinho que inaugura a linha de Tête de Cru é também o de menor produção entre todos das partes mais altas da pirâmide. Até 2019 chamado Les Clos, tem uvas originárias de uma parcela de apenas 0,69 hectare de solos argilosos, que fica dentro do Premier Cru Les Perrières. Um Chardonnay charmoso, redondo e fresco, já bem pronto para consumo. Olfativo mostrando aromas de pera e notas florais, trouxe alta acidez, um vinho mais amplo e opulento, com muita tensão, algo de lias, menos madeira, se mostrando longo, delicioso e elegante, com nota salina no final.
Tête de Cru Clos de Prouges 2023, 13%
Com uvas provenientes de um vinhedo de 2,4 hectares, é aquele de maior produção entre os Tête de Cru. Porém, pela classificação oficial da Borgonha não recebeu classificação Premier Cru, pelo vinhedo não ter inclinação suficiente. Solos de marga bem homogêneos (cerca de 50% de calcário e 50% de argila), trazem muita consistência, mesmo em safras muito secas. Olfativo cítrico (casca de limão), fruta branca mais madura e pêssego; com palato mais untuoso e corpo mais intenso. Um Chardonnay que lembrou Jura, pela combinação entre maior estrutura e salinidade.
Tête de Cru Les Perriéres 2023, 13%
As parcelas usadas aqui têm uma concentração de calcário maior que Clos de Jeanne, gerando um vinho mais direto e vertical, e que necessita de mais tempo, em um estilo que lembra mais Côte d’Or. Mais contido e menos frutado, prezou pela elegância e profundidade, com notas de limão, pera e menta no nariz. Linda textura, muito profundo, tenso e salino, com fruta em segundo plano. Delicioso e de muita tensão.
Cuvée Hors-Classe Les Ménetrières 2023, 13%.
Vinhedo de cerca de 0,8 hectare e exposição leste, com uvas plantadas entre 1974 e 1999. Muito representativo da região de Pouilly-Fuissé, com um olfativo marcado por aromas de frutas maduras (pêssego branco) e cítrico (limão). Palato de alta acidez e corpo médio, um Chardonnay redondo, cremoso e amanteigado (fez maloláctica completa), com excelente textura (se sente bem as lias) e muita tensão.
Cuvée Hors-Classe Tournant de Pouilly 2023, 13%
Assim como o vinho anterior, seu vinhedo (Les Resses) recebeu classificação oficial de Premier Cru (não há Grands Crus na Borgonha fora da Côte d’Or e Chablis). Boa parte das videiras foi plantada em 1963 e 1964, com idade média superior a 60 anos, em solos bastante calcários e de orientação norte-nordeste. Apesar da vinificação em linha com o anterior, uma personalidade diferente. Com mais verticalidade e tensão, é um vinho delicioso e complexo que ainda precisa de algum tempo para chegar ao seu auge. Nariz marcado por aromas de pera, leve nota verde e pedras molhadas, com um palato sedutor. Destaque para a alta acidez, corpo médio, um vinho mais elegante, longo e profundo (embora menos amplo ou frutado), com muito equilíbrio e longa persistência.