Pét-nat é um tipo de vinho que está em moda nos últimos anos. Quem não gosta de um espumante leve, fresco e refrescante, muitas vezes com aromas e sabores diferentes dos vinhos espumantes convencionais? Além de tudo, boa parte deles é vendida em garrafas transparentes com rótulos charmosos, explorando também o aspecto visual.
Mas o que significa exatamente e como são feitos os pét-nat? Será que é um produto novo que entrou na moda e vai sumir em breve? Qual o padrão de qualidade? Estas são apenas algumas das perguntas que vale a pena responder sobre estes espumantes, que estão conquistando uma enorme legião de adeptos ao redor do mundo.
O que são?
Pét-nat é a abreviação do termo francês Pétillant Naturel, que pode ser traduzido para o português como borbulhante, ou espumante, natural. E, ao contrário do que muita gente pensa, não é um produto novo, uma criação moderna de um grupo de hipsters tatuados. De fato, os primeiros espumantes produzidos no mundo poderiam ser assim denominados, se na época o marketing fosse mais agressivo.
Os pét-nat são elaborados com o uso do método ancestral, também chamado de método rural, artesanal ou Gaillacoise, em referência à região francesa de Gaillac. As primeiras menções ao uso deste método datam de 1531, na região francesa de Limoux, quando monges beneditinos teriam obtido o primeiro vinho espumante oficialmente registrado.
Como são feitos?
Ao contrário de tantos espumantes, como os Champanhe, por exemplo, os pét-nat não passam por uma segunda fermentação, na qual açúcar e leveduras são adicionados aos vinhos, como feito em Champagne, de acordo com o método tradicional. Para produzir um pét-nat, a fermentação das uvas nos tanques é interrompida, o vinho é engarrafado e conclui sua fermentação na garrafa.
Apesar de parecer mais simples, o processo de produção de pét-nat exige muita técnica, já que a margem de erro para o produtor é pequena e a possibilidade de corrigir equívocos é praticamente nula. E isso fica ainda mais evidente, porque boa parte dos produtores trabalha seus pét-nat usando métodos naturais, como uso exclusivo de leveduras indígenas.
Produtos artesanais
Boa parte dos pét-nat são, de fato, produtos artesanais. É comum ver seus produtores buscarem uvas de cultivo orgânico ou biodinâmico para elaborar seus vinhos, com adoção de técnicas de mínima intervenção na vinificação. O resultado é um conjunto complexo e diverso de aromas e sabores, com significativa variação entre safras.
A proposta de uma vinificação mais natural e que remeta ao passado, quando as uvas eram cultivadas sem produtos tóxicos e os vinhos não eram sujeitos ao um conjunto enorme de técnicas e aditivos, é um dos principais atrativos dos pét-nat. Mas não o único, já que são espumantes frescos, descompromissados, cheios de vivacidade e energia.
O que muda?
Na comparação com outros espumantes, como Champagne, por exemplo, os pét-nat trazem características distintas. Mostram acidez bem elevada, com grande presença aromática de frutas, muito frescor e menor teor alcoólico. Por outro lado, não são elaborados com objetivo de serem vinhos de guarda, ou seja, são mais adequados para consumo rápido. E, para muitos puristas ou tradicionalistas, alguns trazem aromas e sabores que podem ser classificados como defeitos.
Por conta do seu processo de elaboração, os pét-nat mostram uma efervescência menor, resultado da pressão mais baixa dentro das garrafas (entre 2 e 4 atmosferas), contra 5 a 6 atmosferas em uma garrafa de Champagne. E isso afeta também o seu fechamento. Ao invés da tradicional rolha e gaiola de arame das Champagnes, boa parte dos pét-nat é fechada com tampinhas de garrafa, como as de cerveja.
Outra característica comum é a maior turbidez, por conta de parte da fermentação ocorrer na garrafa. Estes resíduos, em geral leveduras mortas, porém, são totalmente inofensivos e surgem como resultado de um processo natural de fermentação. Por fim, tendem a ser espumantes mais baratos, o que também ajuda a explicar sua crescente popularidade, sobretudo junto ao público mais jovem.