O Piemonte não é só Barolos e Barbarescos produzidos de forma tradicional. Como o nome pode indicar, Rocco di Carpeneto – vini radicali d’Alto Monferrato, é um produtor de baixa intervenção, localizado na região de Monferrato. Criado por Lidia Carbonetti e Paolo Baretta, conta com cerca de oito hectares de vinhedos (boa parte com vinhas velhas) de cultivo orgânico certificado. O foco é nas uvas tradicionais da região, como Cortese, Moscato, Barbera, Dolcetto, Albarossa, Freisa e Nebbiolo. Foi um prazer provar alguns de seus vinhos em evento organizado na Oka Caburé pela Barbagianni, seu importador no Brasil.
Lilán 2022, 13%
Um vinho rosé elaborado a partir de vinhas velhas (plantadas entre 1976 e 1990) de Dolcetto, com uma peculiaridade. As uvas maceraram com cascas da variedade Cortese, trazendo a este vinho uma combinação única entre as características de um rosé e um vinho laranja. Fermentação com uso exclusivo de leveduras indígenas em tanques de inox, com estágio de oito meses em recipientes de cimento. Sem adição de sulfitos, filtração ou colagem antes do engarrafamento. Coloração tendendo para o salmão claro, com um olfativo combinando aromas de frutas vermelhas com ervas secas e notas de cascas de laranja. Boa acidez, taninos bem discretos e corpo médio, um Dolcetto pouco convencional e divertido.
Rapp 2020, 14%
Uvas provenientes de vinhas velhas de Barbera, plantadas entre 1970 e 1996, com cultivo orgânico certificado. Na vinificação, após colheita manual, maceração de 22 dias e fermentação com uso exclusivo de leveduras indígenas em tanques de inox. O vinho ficou 35 meses em botti e não recebeu filtração, colagem ou adição de sulfitos antes do engarrafamento. Uma explosão de frutas frescas (groselha e cereja) tanto no olfativo como no palato, com notas florais, alta acidez e taninos macios. Delicioso e muito fresco, um vinho que seduz quem dá valor à pureza da fruta.