Produção de vinho tinto cai no mundo, porém com enormes diferenças regionais

O mundo do vinho vive profundas transformações e alguma delas resultam das mudanças no perfil de consumo. Uma clara tendência registrada nos últimos anos é a redução da parcela de vinhos tintos. Se entre 2000 e 2004 os vinhos tintos correspondiam a 51,3% do consumo total de vinhos, entre 2017 e 2021 sua parcela caiu para 48,3%. A mesma trajetória afetou a oferta: desde 2013 a produção de vinhos brancos supera a de tintos no mundo.

Porém, há significativas diferenças regionais. De um lado, países mais tradicionais da Europa, sobretudo a França, registraram uma queda acelerada na produção de vinhos tintos. De outro, países do Novo Mundo mostram um cenário distinto, com aumento em vários casos, porém insuficientes para compensar as fortes perdas na Europa. Vale a pena analisar este quadro mais de perto.

Tendências dissonantes

A França, que fechou 2023 como maior produtor mundial de vinhos, foi a grande responsável pelo recuo do vinho tinto em termos globais. A parcela dos vinhos tintos na produção francesa baixou de 56% em 2000 para 33% em 2021. Em termos absolutos, a produção de tintos na França caiu de 33,1 milhões de hectolitros para 12,2 mhl, no mesmo período. Se as médias entre 2017-2021 e 2000-2004 forem usadas, a queda de produção é de 50%.

Usando a mesma métrica para os dez maiores produtores de vinho do mundo (ver gráfico abaixo), também Itália, China e Portugal mostraram quedas relevantes.  Por outro lado, Chile, África do Sul, Argentina e Austrália registraram aumentos significativos de produção. Considerando dados de 2021, estes quatro países somados respondiam por 26% da produção mundial de tintos, contra 42% do grupo formado por Itália, Espanha e França.

Variação de produção: Média 2017-2021 vs 2000-2004. Fonte: OIV

Vale a pena detalhar melhor estes números. O ranking dos principais produtores de vinhos tintos em 2021 colocava três europeus na liderança: Itália (19,8 mhl), Espanha (14,4 mhl) e França (12,2 mhl). Três nações do Hemisfério Sul, Chile (8,5 mhl), Argentina (8,3 mhl) e Austrália (8,2 mhl) vinham na sequência e mostravam volumes de produção muito próximos uns dos outros. Os dez maiores produtores de tintos contavam também com EUA (7,1 mhl), China (5,1 mhl), Portugal (4,5 mhl) e África do Sul (3,4 mhl).

Foco em vinhos tintos

Por outro lado, quais são os países onde os vinhos tintos continuam como destaque absoluto? Vale lembrar que os dados sobre a produção coletados pela Organização Internacional da Vinha e do Vinho (OIV) incluem 27 países, que representam 93% da produção mundial de vinho. O gráfico abaixo traz a proporção dos vinhos tintos na produção total, com algumas surpresas.

Proporção dos tintos na produção total, dados de 2021 . Fonte: OIV

A China lidera com certa margem, com uma parcela de 86,3% da produção composta por vinhos tintos. A seguir vem o “bloco latino”, com quatro países onde o vinho tinto também desempenha um papel dominante: Brasil (73,4%), Argentina (66,2%), Chile (63,5%) e Portugal (61,3%). Vale a pena notar que Itália, Espanha e França, apesar de serem os três maiores produtores em termos absolutos, não estão entre os dez primeiros países em termos relativos.

Fonte: Organização Internacional da Vinha e do Vinho

Imagem: Daniel Roberts via Pixabay

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *