Romanée-Conti: conheça o vinhedo mais cultuado do mundo

Last Updated on 12 de outubro de 2022 by Wine Fun

Romanée-Conti é um nome quase mágico no mundo do vinho. Mas pouca gente sabe que ele se refere a duas coisas distintas. De um lado, Domaine de la Romanée-Conti é o nome da vinícola que consegue seduzir enófilos ao redor do globo e, possivelmente, tem a reputação de melhor produtor de vinhos do mundo. Atulmente, comercializa vinhos de onze vinhedos distintos, todos situados na Côte d’Or.

De outro, Romanée-Conti se refere também a um vinhedo específico (e também uma denominação de origem Grand Cru), que por toda a sua importância e mística, acabou dando nome à vinícola. Até porque, por ser um monopole, é de propriedade exclusiva da vinícola de mesmo nome, contrastando com vinhedos como Clos de Vougeot, que tem dezenas de proprietários.

Condições perfeitas

A área total do vinhedo é de apenas 1,814 hectare, o que corresponde a menos do que três campos de futebol. A partir das uvas deste vinhedo é produzido o vinho que leva seu nome, em quantidades muito limitadas, nos últimos anos variando entre 3 mil e 7 mil garrafas ao ano, dependendo da safra.

Romanée-Conti é composto de vinhas de cerca de 50 anos de idade média, cultivadas desde 2008 de acordo com os princípios da agricultura biodinâmica. Tem solo de calcário com uma boa proporção de argila, sobre uma base rocha calcária sólida. Este perfil de solo, combinado com uma orientação a leste (que dá às videiras acesso à luz solar durante a maior parte do dia) cria o perfeito terroir para a Pinot Noir, talvez o mais privilegiado da Côte d’Or.

Muita história

Há registros que videiras já eram plantadas nesta parte da Côte d’Or pelos monges da abadia de Saint-Vivant desde o século XIII. As terras onde hoje fica o vinhedo foram adquiridas pela família Croonembourg no século XVII, e na época ganhou o nome La Romanée.

Foi em 1760 que Louis-François de Bourbon, sexto Príncipe de Conti e primo do rei Luís XV, adquiriu o vinhedo e também outra propriedade, La Tâche. A qualidade dos vinhos produzidos em La Romanée já era reconhecida e há rumores que não eram comercializados, sendo reservados para uso exclusivo do príncipe e seus convidados. A partir desta época o vinhedo começou a ser conhecido pelo nome atualmente usado, incorporando o título de seu proprietário.

Os vinhedos foram confiscados logo após a Revolução Francesa e passaram por diversos proprietários, até serem adquiridos em 1869 por Jacques-Marie Duvault, comerciante de vinhos e Conselheiro Geral da Côte d’Or, na época com 79 anos. 

Uma origem e duas famílias

Quando ele faleceu, o vinhedo, assim como o resto de suas vastas propriedades, ficou com as filhas Claudine-Constance Massin e Henriette Dupuis. Após algumas transações dentro da família, tornaram-se propriedade de dois descendentes: Marie-Dominique Gaudin de Villaine e seu irmão Jacques Chambon, ambos bisnetos de Jacques-Marie Duvault.

A família Gaudin de Villaine permanece até hoje dona de metade da vinícola, representada atualmente por Aubert de Villaine. Por outro lado, em 1942 Jacques Chambon vendeu suas ações para Henri Leroy, que  passou para suas filhas Pauline Roch e Marcelle (Lalou) Bize. Os interesses desta família são hoje representados por Henry-Frédéric Roch.

Ameaças

Se os vinhedos passaram relativamente intocados durante guerras, revoluções e mudanças de proprietários, uma ameaça diferente surgiu em 2010. Em janeiro daquele ano, o diretor-geral da Domaine de la Romanée-Conti, Aubert de Villaine, recebeu duas cartas com uma ameaça: pagar € 1 milhão em resgate ou ter o vinhedo envenenado.

O autor do inusitado pedido de resgate, Jacques Soltys, um criminoso comum de 57 anos, que ficou dois anos analisando os vinhedos, foi preso e morreu enforcado dentro da prisão, no mesmo ano.

Felizmente, desde então, os vinhedos seguem em perfeito estado. Talvez uma das poucas ameaças à propriedade tenha sido feita contra a cruz de pedra que fica em frente ao vinhedo, quando um famoso sommelier brasileiro a escalou e colocou em risco este valioso patrimônio histórico.

Seu vinho

O Pinot Noir elaborado a partir das uvas deste vinhedo carrega o título de ser regularmente o vinho mais caro do mundo. Seu preço médio fica na faixa de US$ 20 mil por garrafa nos EUA e Europa. É um dos principais alvos dos apreciadores de vinhos, o que, aliado à baixa produção, explica estes valores. Isso também contribui para que seja um dos vinhos mais falsificados do mundo.

Curiosamente, este vinho também tem uma história recente relacionada ao Brasil. Em meados de 2020, foi reportado nas mídias sociais que um político brasileiro estaria colocando à venda sua cobiçada adega, uma das maiores coleções no mundo de vinhos da Domaine de la Romanée-Conti, estimada em cerca de R$ 15 milhões.

Dentre as cerca de 860 garrafas de vinhos somente da Domaine de la Romanée-Conti nesta adega, estariam 68 garrafas do Romanée-Conti, com várias safras de 1953 a 1995. Se você nunca provou este vinho, ao menos pode ser que já tenha tido o “privilégio” de indiretamente ter pago por parte delas.

Fontes: Domaine de la Romanée Conti; Inside Burgundy, Jasper Morris

Imagens: Arquivo pessoal

Mapa: Port of Burgundy

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