Finos e elegantes, os vinhos de Barbaresco cada dia ganham mais espaço nas taças dos apaixonados por vinhos italianos. Embora relativamente pequena (sua produção equivale a cerca de um terço daquela de Barolo) esta denominação de origem preza cada dia mais pela qualidade. E uma das vinícolas que mostram bem esta tendência é a Ada Nada, sediada em Rombone. Esta é uma fração de Treiso, que é um dos quatro municípios que concentram a produção de Barbaresco.
Atualmente a Ada Nada cultiva nove hectares de vinhedos, todos eles em Treiso, com cerca de 50% deles dentro da área da denominação Barbaresco. Com uma produção anual na faixa de 50 mil garrafas, concentra sua atuação sobretudo na Nebbiolo, embora cultive também outras variedades, inclusive a Sauvignon Blanc, algo relativamente raro na região.
História
Carlo Nada criou a vinícola familiar em 1919 na zona de Rombone, que fica dentro dos limites da denominação Barbaresco. A viticultura seguiu como foco principal das gerações seguintes da família Nada, desde Giovanni Nada, filho de Carlo, a Gian Carlo Nada, neto de Carlo, e sua esposa, Ada. Foi Gian Carlo, na década de 1980, quem lançou os primeiros vinhos com rótulos próprios e, também, quem alterou o nome da vinícola (antes chamada Nada) em homenagem à esposa.
Anna Lisa Nada (filha de Ada e Gian Carlo) e seu marido, Elvio Cazzaro, passaram a ter maior responsabilidade pela vinícola familiar a partir de 2001. Desde 2012, com o falecimento de Gian Carlo, Elvio assumiu papel preponderante na enologia, contando também com um consultor externo. A próxima geração da família já está definida: Emma, Elisa, Serena, as três filhas de Anna Lisa e Elvio.
Vinhedos e variedades
Incialmente com três hectares de vinhedos, a Ada Nada atualmente conta com cerca de nove hectares. Situados a cerca de 300 metros de altitude, boa parte deles conta com exposição sudoeste e alta concentração de vinhas velhas. Os principais destaques são as parcelas em Rombone (com vinhas plantadas em 1947), Valeirano (1971) e Cichin (1958). Desde 2019 os vinhedos contam com certificação orgânica, escolha que, segundo a família, não foi por motivos comerciais, dado que moram ao lado dos vinhedos. A partir de 2023 obtiveram também certificação orgânica na vinificação para os Barbarescos.
A Nebbiolo é a variedade dominante, usada, além dos Barbarescos, também para seu Langhe Nebbiolo e seu Langhe Rosso. Cultivam também Dolcetto e Barbera, além de uma parcela plantada com Sauvignon Blanc. Cultivada em parcelas de orientação norte, a variedade francesa dá origem ao único vinho branco seco tranquilo da Ada Nada.
Vinificação e vinhos de entrada
Após colheita manual das uvas, as fermentações, usando tanto leveduras indígenas como adicionadas (se necessário) ocorrem em tanques de inox. Boa parte dos vinhos não tem passagem por madeira, como o Neta Langhe Sauvignon (quatro meses com suas lias em inox), Emma Vino Rosato, Serena Langhe Nebbiolo e Altinot Dolcetto d’Alba, além do espumante Brut 100 e do vinho doce La Brà Moscato d’Alba.
Antes de chegar aos Barbaresco, são outros quatro vinhos com alguma passagem por barricas ou botti, (dependendo da cuvée). O Pierin Barbera d’Alba faz estágio de 10 a 12 meses em botti, enquanto o Salgae Barbera Superiore provêm de vinhas selecionadas, colhidas mais maduras e com passagem de 18 meses em barricas. O La Bisbetica Langhe Rosso (corte de Nebbiolo e Barbera) faz estágio de 10 a 12 meses em barricas, com o vinho base do espumante rosé Dilva Dosaggio Zero (100% Nebbiolo) passando quatro meses em barricas.
Barbaresco
São três Barbarescos elaborados a partir de parcelas distintas, também com algumas diferenças na vinificação. O Valeirano Barbaresco tem origem em videiras datadas de 1971, com fermentação em inox e 18 meses em botti, com uma pequena parcela em barricas. Com uma produção de cerca de 10 mil garrafas ao ano, é um vinho floral, elegante e refinado. Já o Rombone Elisa Barbaresco tem vinificação em linha com o anterior, mas origem em um vinhedo plantado em 1947, com solos mais calcários. Com produção na faixa de 4 mil garrafas ao ano, um Barbaresco com mais estrutura, profundidade e fruta mais presente que o Valeirano.
Por fim, o Cichin Rombone Riserva é o Barbaresco mais exclusivo da Ada Nada. As uvas provêm de uma parcela de vinhas velhas de 55 anos, com macerações mais longas e 30 meses de estágio em botti austríacos Pauscher. Mais denso e concentrado, é um vinho que, geralmente, requer mais tempo na adega que os demais para atingir seu pleno potencial.
| Nome da Vinícola | Azienda Agricola Ada Nada |
| Estabelecida | 1919 |
| Website | https://www.adanada.it/cantina/ |
| Enólogos | Elvio Cazzaro |
| Uvas | Nebbiolo, Barbera, Dolcetto, Sauvignon Blanc, Moscato |
| Área de Vinhedos | 9 ha |
| Sede da Vinícola | Treiso (Piemonte) |
| Denominações de Origem | Barbaresco, Barbera d’Alba, Dolcetto d’Alba, Langhe Nebbiolo. Langhe Rosso, Langhe Sauvignon, Moscato d’Asti, |
| País | Itália |
| Agricultura | Orgânica certificada |
| Vinificação | Baixa Intervenção |
| Importador no Brasil | Italy Import |